Produtores do RS estão descontentes com mercado de leite

Publicado por: MilkPoint

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Política de comercialização desestimula pecuaristas leiteiros, segundo presidente da Comissão de Leite da Farsul

O atual perfil da produção no Rio Grande do Sul, de acordo com Jorge Rodrigues, presidente Comissão de Leite e Derivados da FARSUL, em função da inconformidade com a política de comercialização imposta, revela um grande número de produtores desestimulados, desde os pequenos até os grandes, levando-os a atividades como a cultura da soja, que apresenta vantagens econômicas. "Não é o volume de produção que tem determinado essa saída", comentou.

Rodrigues informou que a indústria determina o preço que pagará pelo produto já recebido e comercializado, com conhecimento das alterações de preço após 30 a 45 dias da entrega, com programações preestabelecidas de gastos e investimentos.

Ele estabeleceu um contraponto às declarações de Ernesto Krug, diretor de Planejamento e de Política Leiteira da Elegê, feitas em matéria do MilkPoint na semana passada, para quem a produção do RS deve recuperar-se até o final do ano, Rodrigues questionou a retirada de um incentivo de R$ 0,06 centavos sobre um volume entregue correspondente a 80% da média dos meses anteriores. "O produtor investiu nessa vantagem, acreditando na estabilidade dos preços, e se deparou com sua retirada, além de uma redução de R$0,03 no preço recebido pelo litro de leite. O pecuarista já tinha dificuldades e foi afetado por uma decisão tomada pela indústria para garantir os níveis de abastecimento", queixou-se.

Quanto aos dados da Federação, por ser um processo dinâmico, Rodrigues afirmou que é difícil quantificar de imediato, mas identifica uma redução do volume produzido em torno de 8% sobre o registrado no mesmo período de 2002. De acordo com ele, calcula-se, desde o início do ano, uma redução de 70 milhões de litros. "Deverá diminuir mais, chegando a 130 milhões de litros a menos", alertou.

Para 2004, diante do desestímulo dos produtores e das características da pecuária leiteira, a qual não se recupera de uma hora para a outra, o cenário não se apresenta muito favorável, na opinião de Rodrigues: "Muitos pecuaristas tem encaminhado as vacas para o abate. É a extinção da matriz", enfatizou.

Há, no entanto, aspectos positivos que devem ser lembrados, como destacou o presidente da Comissão de Leite da Farsul. Ele afirmou que a produção no Rio Grande do Sul tem ganhado muito em termos de profissionalização e em qualidade, com incremento da produtividade e conseqüente melhora da produção na propriedade.

Rodrigues revelou que tem buscado criar no Estado um sistema semelhante ao Conseleite (Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite) do Paraná, para discutir os critérios de comercialização. O maior benefício dessa iniciativa seria, em sua opinião, a previsibilidade, a qual eliminaria o risco de o produtor contar com a remuneração e ser comunicado que não receberá o que previa. "Estamos discutindo e esperamos que seja implementado em breve. Até o final do ano, pretendemos ter a data para instalação do Conselho", acrescentou.

Fonte: Mirna Tonus, da Equipe MilkPoint
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