Diante de preços em queda em plena entressafra, em agosto, o preço pago pelo litro do leite tipo C foi de R$ 0,51, e cansados de arcar com a conta do superávit na balança comercial de lácteos em 2005, os produtores brasileiros iniciam articulações a fim de minimizar as perdas.
Entre as soluções que começam a ser alinhavadas está a criação de uma empresa para conduzir as ações da cadeia. Segundo o presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Eduardo Dessimoni, em países como a Austrália e a Nova Zelândia, os produtores doam US$ 0,01 de cada litro de leite comercializado. "A nossa intenção é fazer com que o produtor mineiro doe também R$ 0,01 para cada litro de leite vendido. O recurso seria administrado por uma empresa e utilizado em diversas áreas de pesquisa voltadas para o desenvolvimento da atividade no estado", explicou.
O projeto está em discussão na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite, coordenada pela Secretaria de Estado da Agricultura. Apesar de, inicialmente, ser voltado aos produtores mineiros, no futuro os estudos serão apresentados ao governo federal. "A intenção também é buscar a parceria de outros estados grandes produtores".
As outras estratégias prevêem pressão sobre o governo por meio da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados; pedido para a ampliação dos recursos via Empréstimos do Governo Federal (EGFs), destinados a estoques, e ações para estimular o consumo interno.
Os catarinenses conseguiram articular para outubro uma audiência emergencial na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados para discutir a crise. O diretor executivo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc), Rolf Sprung, disse que houve uma queda de 30% no preço pago aos produtores na região oeste. Alguns produtores recebem R$ 0,32 por litro e, no próximo mês, há indicativo de R$ 0,29.
Sprung defendeu a necessidade de o governo estabelecer um preço mínimo de R$ 0,53 (atual custo médio) por litro, o que daria maior flexibilidade aos produtores para saldar dívidas e voltar a investir. Há uma semana, mais de 1,6 mil agricultores de mais de 40 municípios do oeste catarinense paralisaram o trevo a BR-282 por uma hora e meia, em protesto contra a importação de leite.
A direção da Láctea Brasil pretende investir na formação de consumidores a longo prazo. "Queremos desenvolver campanhas para jovens de dez a 14 anos, uma faixa de idade em que o consumo de leite diminui e não se eleva mais", diz o diretor de marketing da associação, Marcelo Carvalho. Segundo ele, o primeiro projeto piloto será uma campanha de prevenção à osteoporose que será lançado em meados de outubro, em Botucatu (SP).
Na última sexta, o governo federal liberou R$ 50 milhões em recursos via EGFs para o setor. Segundo o presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite da CNA, Rodrigo Alvim, os recursos apenas amenizam o problema. "Seriam necessários cerca de R$ 200 milhões extras para enxugar o mercado e retomar preços melhores", avisa.
Ele também adverte para a necessidade de prorrogar os recursos via EGFs, liberados há seis meses. Segundo ele, a CNA aguarda posicionamento do ministério sobre os dois temas.
Fonte: DCI (por Alex Capella, Henrique Puccini, Márcio Rodrigues), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores definem estratégias para recuperar renda
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