A Nestlé deixou de adquirir cerca de 200 mil litros de leite na região sudoeste da Bahia, fato que está trazendo enormes prejuízos aos produtores da região, que fizeram grandes investimentos e contraíram grandes empréstimos, confiantes na aquisição do leite por parte da multinacional.
A Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb) está tentando buscar uma solução para o problema. "Houve um crescimento grande na Bahia, tanto em termos de produção quanto de produtividade e o setor precisa se estruturar para exportar, pois, em pouco tempo, a indústria local não terá condições de absorver a quantidade de leite que é captada", alerta o presidente da Faeb, João Martins da Silva Júnior, que esteve reunido na última quarta-feira com os produtores buscando uma saída para o problema.
Durante uma reunião na Câmara Consultiva do Leite do Estado da Bahia, na Secretaria da Agricultura, ficou definido um conjunto de propostas, encaminhadas ao secretário da Agricultura do Estado, Pedro Barbosa de Deus, para tentar minimizar o prejuízo dos produtores.
Entre as reivindicações, destaca-se a recuperação industrial - com aumento da capacidade - da Cooperativa Central de Laticínios da Bahia (CCLB) e da Cooperativa Grapíuna de Agropecuaristas (Coograp), além da abertura da usina de Teodoro Sampaio, visando alcançar um total de 500 mil litros por dia. Outra proposta prevê viabilizar recursos para composição de capital de giro da CCLB, Coograp e demais cooperativas de laticínios, através de linha de crédito especial ou compra antecipada do produto.
Além disso, os produtores pretendem urgentemente realizar um encontro entre as cooperativas de laticínios do Estado, para fortalecer a integração do setor. Por fim, os produtores pretendem encaminhar ao governador da Bahia um projeto de lei, propondo a inclusão das cooperativas do sistema nos benefícios do parcelamento do ICMS, concedido àquelas habilitadas no Recoop (Programa de Revitalização das Cooperativas de Produção Agropecuária).
Segundo Silva Júnior, o problema dos produtores pode vir a agravar-se em novembro, durante o período da safra propriamente dita, quando geralmente há um aumento da captação. "A produtividade na Bahia hoje é bem superior àquela obtida há cinco anos, por exemplo. Isso por conta não só de um melhor manejo e uso de tecnologia, mas também por causa das linhas de crédito criadas para expandir o setor."
fonte: A Tarde/BA, adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores de leite baianos têm prejuízo devido à diminuição na compra de leite
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