Produtores da Bahia se organizam para driblar baixa remuneração

Publicado por: MilkPoint

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Os produtores de leite da Bahia investem nas estratégias do associativismo, produção de derivados e uniformização da cadeia produtiva para tentar driblar problemas como baixa produtividade e remuneração, além do elevado índice de comercialização clandestina do produto. A idéia é aproveitar o potencial ainda inexplorado da bacia leiteira no Estado, a maior do Nordeste e sétima do País, a partir de ações coordenadas entre produtores, indústria e os poderes públicos.

A produção atual do Estado, de 800 milhões de litros por ano, ainda não é suficiente para atender à demanda. De acordo com a Secretaria da Agricultura do Estado (Seagri), cerca de 20% do que a Bahia consume em leite líquido e derivados vêm de outros estados. A existência de demanda interna, no entanto, não tem garantido que o leite baiano seja um negócio rentável para os produtores.

De acordo com o diretor de desenvolvimento da pecuária da Seagri, Luiz Rebouças, um dos principais entraves ao sucesso da atividade é a perda do espaço do leite in natura devido a um aumento da preocupação da população com questões como segurança alimentar, higiene e qualidade de vida. "O momento atual é ruim para os produtores baianos, que registram baixa remuneração pelo produto e ainda enfrentam a concorrência de Estados como Minas Gerais e Goiás", diz, lembrando que em 2001 o leite e o café foram os únicos produtos que na Bahia tiveram renda inferior ao custo de produção.

Luiz Rebouças diz que, devido ao fato de a Bahia só ter começado a organizar a cadeia produtiva a partir de meados de 2001, ainda não existem estatísticas para medir queda na demanda pelo produto in natura ou aumento pelo leite beneficiado. Segundo ele, as informações que existem hoje são muito pontuais e um balanço estadual só será possível no final de 2002, quando se espera haver um levantamento confiável sobre a situação.

Profissionalização

Ele ressalta que a grande competitividade existente no mercado tem gerado, por outro lado, um interesse maior do produtor em melhorar as condições de produção e comercialização, revitalizando a atividade e oferecendo um leite de melhor qualidade à população. A Câmara Consultiva do Leite do Estado vem coordenando um trabalho de combate ao leite clandestino e profissionalização do setor. O órgão reúne criadores, representantes de indústrias e técnicos do Estado que estudam soluções para o agronegócio.

Entre as ações realizadas estão seminários e cursos em vários municípios, para orientações como a formação de associações para viabilizar o beneficiamento do produto, seja em unidades já existentes ou em indústrias a serem implantadas. "As mudanças ainda são pequenas diante do tamanho do Estado, mas uma nova postura por parte do produtor, preocupado em dispor de melhores condições de higiene e organização, já pode ser sentida", analisa o diretor da Seagri.

Mudanças

Jequié, Ipiaú, Barra do Choça e Vitória da Conquista são alguns dos municípios que já colocam em prática a nova forma de encarar a atividade, decretando fim ao comércio clandestino. Em Itabuna, todo o produto comercializado passou a ser pasteurizado na usina da Cooperativa Grapiúna de Pecuaristas (Coograp), a um custo de R$ 0,10 o litro.

Hoje o produtor recebe em média R$ 0,25 por litro de leite in natura, valor que é elevado para R$ 0,72 a R$ 0,77 quando a usina repassa o produto beneficiado para grandes revendedoras. Os micro usineiros que beneficiam o próprio leite conseguem vender a R$ 0,65 o litro, o que é um bom incremento da remuneração. Este tipo de caso, porém, é raro na Bahia.

O produto beneficiado chega ao consumidor por valores que vão de R$ 1,00 a R$ 1,30. "O problema é que o consumidor paga pelo leite um preço de país de primeiro mundo, mas o produtor recebe uma remuneração de terceiro mundo", compara Rebouças.

Uma das alternativas encontradas pelos produtores para conseguir uma melhor remuneração pelo produto é a parceria com indústrias de derivados de leite para produção de itens como iogurte e queijo. A estratégia já é adotada pela Cooperativa Central de Laticínios da Bahia (CCLB).

Fonte: Gazeta Mercantil (por M. Carneiro), adaptado por Equipe MilkPoint
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