Produtores catarinenses reagem à queda no preço do leite

Publicado por: MilkPoint

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Será realizado mais um protesto dos produtores de leite, devido ao aumento da oferta na entressafra, que provocou a queda nos preços. Desta vez, são os produtores catarinenses. A Cooperalfa, de Chapecó (SC), convocou para a próxima quarta-feira, em Concórdia, um protesto dos produtores contra "o caótico cenário atual no mercado do leite". Depois de chegar a R$ 0,365 em junho, o preço caiu em agosto para R$ 0,235.

Segundo o médico veterinário Dilvo Casagranda, gerente técnico da cooperativa, esta queda é "absurda e injustificada". Casagranda responsabiliza principalmente a paranaense Batávia - indústria de produtos lácteos vendida pela Cooperativa Batavo à multinacional italiana Parmalat há cerca de dois anos, responsável pela compra de 12 milhões de litros de leite mensais do consórcio Agromilk, formado por 7 cooperativas - a Cooperalfa responde por 38% do total.

Em nota, a direção da Batávia informa que o problema decorre de uma crise generalizada, afetando toda a cadeia produtiva. Segundo a empresa, entre outros problemas, existe excesso de produção decorrente do clima e da melhoria do rebanho, obrigando a indústria a absorver todo o excedente, com dificuldade de colocação no mercado. Além disso, haveria queda de consumo devido à crise energética, taxa de desemprego, desvalorização do dólar e redução do poder aquisitivo.

Os produtores catarinenses parecem dispostos a criar um problema político caso as indústrias não negociem. A Cooperalfa afirma que a Assembléia Legislativa de Santa Catarina dará peso de audiência pública à reunião de Concórdia.

Segundo José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura de Santa Catarina (Faesc), a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) estuda a formalização de denúncia ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e ao Ministério Público de abuso de poder econômico pelas grandes indústrias de laticínios.

Consumo

A queda no consumo, que poderia ser uma das causas do excesso de oferta do produto no mercado, foi descartada por Pedrozo, que citou uma pesquisa do Ibope segundo a qual de janeiro a julho deste ano foram consumidos 2,268 bilhões de litros no Brasil, 1% acima dos 2,245 bilhões do mesmo período de 2000. A Faesc acredita que a crise pode ser revertida com a liberação, pelo governo federal, de R$ 200 milhões para financiar a estocagem do excedente de leite e estimular a exportação.

Paraná

O Estado do Paraná também sofreu mudanças com a queda no preço do leite pago ao produtor. O número de produtores que passou a entregar o produto para indústrias fora do Estado, especialmente para São Paulo, cresceu no último ano e quase chega a 50% da região abrangida pelas cooperativas Arapoti, Castrolanda e Batavo.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Geraldo Hasse e Ubirajara Alves), adaptado por Equipe MilkPoint
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Maurício
MAURÍCIO

PIRACICABA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 12/09/2001

A chamada crise do leite se espalha por todo País. Desde 1995, que já era previsto que a produção de leite no Brasil seria superior ao consumo. Isto deveria ocorrer entre 2000 e 2002, portanto, estamos chegando perto, se é que já não atingimos. O leite é o típico produto que se baseia na lei da oferta e da procura. Atualmente, os problemas de energia elétrica, retração de consumo e estoques que as indústrias possuem, levaram a esta crise em plena entresafra. Isto fez com que o preço do leite caísse, assim como ele sobe quando há escassez. O que precisa ser entendido é que a indústria não sobrevive com custo alto, e o leite representa de 45 a 60% dos custos de qualquer produto lácteo. O produtor fica penalizado com esta queda, mas devemos alertar que o preço de determinados produtos nos pontos de venda não sofreram queda significativa, apesar da redução do preço de venda da indústria - para o leite Longa Vida de 20 a 30%. As comodities lácteas como manteiga, queijo, leite pasteurizado, leite longa vida e leite em pó, que representam a grande maioria dos produtos fabricados pelas indústrias, tiveram queda de preços bastante significativas que não estão sendo re-passadas aos consumidores.

Voltando ao comentário inicial, está chegando o momento de exportação para voltarmos a equilibrar o mercado, o que não será fácil pois, na maioria dos casos, não estamos preparados para isso em função das exigências externas, além de termos que competir com grandes exportadores como Austrália, Nova Zelândia e Argentina.

Precisamos buscar o equilíbrio entre os custos de produtor e indústria, mas a cadeia somente se completa quando os mercados e supermercados se conscientizarem que não se pode aproveitar este momento para ganhar além do se já ganha. E o consumidor entender que o preço de um produto lácteo é mais barato, comparativamente com outros produtos, do que deveria ser.



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