Produtor teve ganho real de preços, mas perdeu poder de compra

Publicado por: MilkPoint

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Levantamento realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada/Esalq/USP) aponta que, em relação a novembro, o preço do leite fechou o ano em queda em dezembro de 2003, mas, ao ser comparado com os valores reais, deflacionados pelo IGP-DI, de dezembro de 2002, o resultado é positivo.

A única exceção é Goiás, onde o valor de dezembro último ficou cerca 10% abaixo da média real de dezembro de 2002. Na média ponderada das praças pesquisadas, o ganho real do produtor foi 1,7% no último ano. Em Minas Gerais, houve valorização de apenas 1,2%, mas, em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, esteve na casa dos 6%. Já na Bahia, o aumento real chegou a 20%.

Além de comparar a evolução dos preços do leite com a inflação, com base em valores reais, outro indicador de poder de compra do produtor é a relação de troca entre o litro do leite e insumos. Dados do Cepea mostram que, em dezembro de 2003, um produtor de leite de São Paulo necessitava de 1.699 litros do produto tipo C para adquirir uma tonelada de adubo 20-05-20, enquanto, em dezembro de 2002, precisava de apenas 1.532 litros/tonelada, perda de 11% no poder de compra do produtor.

Já em relação ao sal mineral, a perda do produtor paulista chegou a quase 27%: um ano atrás, precisava de 51,4 litros para adquirir um saco de 30 kg de mineral e, em dezembro de 2003, 65,2 litros/saco.

Influenciados pelo aumento da captação, devido ao período de safra, e com o poder do consumidor interno relativamente deprimido, os preços, tanto do leite ao produtor, quanto dos derivados, têm sofrido quedas consecutivas nos últimos meses, com a média nacional caindo desde outubro. Somente de novembro a dezembro, o recuo dos preços médios pagos aos produtores alcançou 2,89% nas principais bacias leiteiras do País, na média ponderada.

No Paraná, apesar da aparente estabilidade dos preços no âmbito estadual, as divergências nas mesorregiões foram bastante significativas em dezembro. Na região oeste do Estado, o preço médio praticado chegou a R$ 0,3895/litro, enquanto, na central, a média foi R$ 0,5015/litro. Essas discrepâncias se justificam pelo tipo de comercialização nas praças do Estado e, principalmente, pela qualidade do produto em termos de percentual de gordura, teor de impurezas, entre outros aspectos.

Já nas principais bacias de São Paulo, as diferenças nas mesorregiões foram bem menores. A maior distância foi apenas dois centavos, entre São José do Rio Preto, que representa 25,36% da produção do Estado e teve o litro cotado, na média, a R$ 0,4536, e o Vale do Paraíba, onde o preço de dezembro foi R$ 0,4771/litro. Na média paulista, a queda dos preços do leite tipo C chegou a 2,14% em dezembro, em relação aos registrados em novembro.

Em Minas Gerais, principal estado produtor do País, as regiões do Triângulo Mineiro e metropolitana de Belo Horizonte tiveram praticamente a mesma média, na faixa de R$ 0,495/litro. Contudo, devido ao significativo aumento da captação na região sul mineira, os preços nessa área ficaram em R$ 0,4247/litro. Juntas, essas três regiões representaram, em 2002, 60,31% da produção mineira e 22,67% da produção formal no País.


Fonte: Assessoria de Imprensa do Cepea, adaptado por Equipe MilkPoint
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