Com os estoques em alta por conta da queda registrada no consumo, os laticínios pagaram menos ao produtor em outubro. De acordo com levantamento da Scot Consultoria, os produtores receberam, em média, R$ 0,49 por litro pela produção entregue em setembro, o que significa leve queda de 1,36% em relação ao mês anterior.
Goiás, segunda maior bacia leiteira do País, registrou a mais forte desvalorização: 4,16%, para R$ 0,4838. Em Minas Gerais, que lidera a produção nacional, a queda ficou em 0,98%, para R$ 0,5094 por litro. Já em São Paulo, os preços recuaram 1,88%, para R$ 0,5013. Os valores mantiveram-se estáveis apenas no Rio Grande do Sul, com pequena alta de 0,27%, chegando a R$ 0,4804 por litro.
De acordo com o IEA (Instituto de Economia Agrícola) de São Paulo, o índice de preços recebidos pelos agricultores (IPR) apresentou pequeno recuo, de 0,33 ponto percentual, em relação ao da quadrissemana anterior, mas manteve a tendência de alta.
O Instituto divulgou que, dos 19 produtos analisados, sete apresentaram crescimento no preço: amendoim, banana, laranja, soja, tomate, boi gordo e suíno, enquanto onze tiveram reduções: arroz, batata, café, cana-de-açúcar, cebola, feijão, milho, trigo, aves, leite (-1,92%) e ovos. O destaque de alta continuou sendo o tomate (+57,89%), enquanto a queda mais expressiva foi verificada na batata (-17,02%). O crescimento nas cotações de boi gordo e suínos foi mais que compensado pela redução nos preços de aves, leite e ovos, o que levou à retração de 1,04% no preço do grupo animal. O resultado foi uma alta de 0,63% no índice geral (IPR).
"O mercado está muito retraído. Os preços do leite estão em queda no varejo e no atacado", explicou o analista da Scot, Maurício Nogueira. Em São Paulo, a cotação do litro de leite Longa Vida caiu 2,69% no mercado atacadista, em outubro, para R$ 1,1957, e 5,59% no varejo, para R$ 1,3304.
Segundo Nogueira, a baixa produção impede um recuo mais expressivo dos preços pagos ao produtor. Por conta da falta de chuvas, as pastagens ainda não se recuperaram, atrasando o início da safra leiteira, que tradicionalmente começa em outubro. "Há um medo generalizado de falta de leite. Uma recuperação leve do consumo pode mudar todo o quadro", acredita.
Apesar da atual tendência de queda, o produtor tem tido melhor remuneração em comparação com a do ano passado. A cotação do litro de leite in natura subiu 29,6% em valores nominais e 12% descontando a inflação em relação a outubro de 2002.
Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim) e IEA, adaptado por Equipe MilkPoint
Produtor recebe menos pelo leite em outubro
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