Produção leiteira de Goiás começa a se recuperar

Publicado por: MilkPoint

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A produção goiana de leite começa a dar sinais de que está superando a crise provocada pela quebra da Parmalat, apesar de vários pecuaristas terem abandonado a atividade. O preço médio do litro de leite chegou a R$ 0,36. Há um mês o valor médio da cotação era de R$ 0,30.

Os produtores despertaram para a necessidade de se organizar e garantir a sobrevivência da atividade e estão mobilizados, por meio da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg) e da Central das Cooperativas de Leite (Centroleite), visando conquistar a própria indústria para beneficiamento.

O presidente da Centroleite, Haroldo Max, quer reunir-se com o interventor da Parmalat, Keyler Carvalho da Rocha, em São Paulo, para dar continuidade às negociações da proposta de arrendamento da unidade de Santa Helena de Goiás, paralisada desde o dia 5 de fevereiro.

O próprio governador Marconi Perillo está empenhado na retomada das atividades da fábrica e já solicitou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberação de recursos para que a Centroleite assuma a unidade goiana da multinacional italiana.

Em Santa Helena, a fábrica da Parmalat continua totalmente paralisada. Alguns dos 127 trabalhadores estão de férias coletivas e outros fazem plantão, cuidando da manutenção das máquinas e equipamentos. O prefeito da cidade, Judson Lourenço, antecipa que hoje fará contato com um dos administradores da empresa, em São Paulo. Ele espera obter informações sobre o rumo que será dado à unidade.

Leite em pó

No último sábado (28), a Cooperativa dos Produtores de Quirinópolis conseguiu vender as 62 toneladas de leite em pó que havia recebido da Parmalat como pagamento de dívida pela entrega de leite nos meses de novembro e dezembro. O presidente da entidade, Luiz Antônio Andrade, conta que o produto foi embarcado em duas carretas com destino à cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, onde é a sede da empresa Tangará Importação e Exportação.

A Cooperativa vendeu o leite ao preço de R$ 5 o quilo, apesar de tê-lo recebido a R$ 6 da Parmalat. "Tivemos prejuízo de 22%, mas pelo menos conseguimos desovar o produto e fazer capital de giro para quitar outros compromissos financeiros com demais fornecedores", justificou.

Estima-se que no sudoeste goiano a produção de leite tenha caído 36% se comparada ao mesmo período do ano passado, em função da crise da Parmalat. Muitos pecuaristas abandonaram a atividade leiteira, descartando as matrizes. Com a redução da oferta, o preço do leite pago ao produtor já chegou a R$ 0,40 na região, contra R$ 0,32 pagos em janeiro. No início de dezembro o valor chegou a R$ 0,46.

Funcionários em Itaperuna não recebem

A Parmalat brasileira deixou de pagar salários ontem pela primeira vez desde que estourou o escândalo financeiro que levou a intervenções judiciais na empresa. Os empregados da fábrica de Itaperuna, no Estado do Rio, ficaram sem receber os salários referentes a fevereiro. O dinheiro deveria ser depositado na sexta-feira, mas nem a matriz da empresa, em São Paulo, que está sob intervenção da Justiça paulista, nem os interventores que assumiram a unidade de Itaperuna há um mês por determinação da Justiça do Rio realizaram o pagamento.

Fonte: O Popular/GO (por Sônia Ferreira) e Estado de S. Paulo (por Nicola Pamplona e Priscilla Murphy), adaptado por Equipe MilkPoint
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