Produção em província argentina mostra recuperação

Publicado por: MilkPoint

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Pela primeira vez no ano, a produção de leite da Província de Santa Fé, na Argentina, terminou o mês com uma leve recuperação. Durante o mês de maio, a produção ficou em níveis semelhantes aos do ano passado, enquanto que no mês de abril, houve uma queda de 8% na produção, com relação a abril de 2000.

Isso é o que indica um relatório realizado entre 11 empresas, que respondem por cerca de 78% da produção total de leite de Santa Fé. "Os dados que recolhemos indicam que houve uma leve recuperação nos níveis de produção durante o mês de maio", disse Oscar Alloatti, secretário da Agricultura da Província.

Para os empresários e produtores do setor, os dados ajudam a ver o restante do ano com ânimo maior. "Em maio, tivemos uma leve recuperação, com a produção de leite no mesmo nível do mês de maio do ano passado. Quem sabe não será possível permanecer com a produção semelhante à do ano passado, ou até melhor um pouco", disse Luis Joullier, presidente da Milkaut.

Porém, apesar dessa leve recuperação, o setor leiteiro argentino mantém-se em uma situação de "crise estrutural", mesmo sendo um setor que, até pouco tempo atrás, prometia ser uma das mais rentáveis e dinâmicas atividades da economia.

A situação é preocupante por vários motivos. Um deles é o alto impacto social do setor leiteiro. Na Argentina, o setor leiteiro é uma das atividades rurais que mais gera empregos. Além disso, diferentemente de outras produções, a mão-de-obra nesse setor está localizada geograficamente, ou seja, onde estão localizadas as bacias leiteiras. Isso provoca um forte impacto mobilizador sobre as economias regionais. Por esse mesmo motivo, sua crise tem grande influência sobre as perspectivas de desenvolvimento locais.

A longo prazo

Para o secretário da Agricultura de Santa Fé, uma das raízes do problema é a falta de uma política nacional de longo prazo para o setor. "É necessário encontrar um sistema de organização para planejamento da produção a longo prazo. Assim, poderemos fazer com que os picos de produção e de preço sejam moderados", disse Alloatti.

Essa falta de planejamento fez com que, durante o período de 1996 a 1998, encorajada pelos bons preços, a produção crescesse até chegar a um recorde de mais de 2,8 milhões de litros em Santa Fé em 1999. Essa superprodução, somada à recessão econômica e à retração do consumo, jogou os preços para baixo. Dessa forma, em 2 anos (de 1998 a 2000), o preço do leite baixou cerca de 30% na Argentina, fazendo com que os produtores de leite apresentassem uma grande queda em sua receita.

Os custos

Atualmente, e de acordo com algumas estimativas, os custos de produção para a Argentina encontram-se entre 12,5 a 14 centavos por litro. Porém, um estudo realizado pelo Inta Rafaela, mostrou que existem muitas propriedades leiteiras em Santa Fé cujo custo está em torno de 18 centavos, e que pode chegar a superar os 20 centavos em algumas situações. Porém, o estudo mostra que algumas regiões da Província apresentam custos de produção bem mais baixos. O preço pago pela indústria está em torno de US$ 0,15 a US$ 0,17 por litro.

Cada vez menos

O número de produtores de leite está em franco decréscimo em toda a Província. De acordo com um levantamento realizado pelo Ministério da Produção, em Santa Fé existiam 5664 estabelecimentos em 1995. Atualmente, as estimativas mostram que esse valor caiu para 4800 propriedades leiteiras.

A redução também está ocorrendo nas cooperativas que agrupam os produtores de leite de Santa Fé. "Nos últimos cinco anos, o número de produtores de leite da Milkaut diminuiu cerca de 15%", informou Joullier. "Nós, da cooperativa, trabalhamos para que isso não ocorra, mas a realidade é assim, e, lamentavelmente, isso afeta especialmente os produtores menores".

Alguns desses pequenos produtores que não podem sustentar-se nessa situação estão retirando-se da produção, arrendando suas propriedades para os grandes produtores. Porém, muitos pequenos produtores estão liquidando seus plantéis, em muitos casos para pagar dívidas contraídas quando estimava-se que o auge da produção leiteira duraria muito tempo. "Para atenuar esse fenômeno, acreditamos que é necessário montar um instituto que se encarregue especificamente de projetar e executar uma estratégia para todo o setor", disse Alloatti.

Competitividade parada

Nos últimos tempos, essa possibilidade voltou a ganhar notoriedade, depois de as províncias de Santa Fé, Córdoba e Buenos Aires impulsionarem a constituição de um instituto regional para o setor. Houve, inclusive, um interesse do governo argentino pela iniciativa. Porém, a falta de acordo entre algumas entidades rurais esfriou a discussão. Algumas entidades impuseram como condição para a formação desse instituto a fixação de um preço base para a matéria-prima. "Há entidades que estão em negativa permanente. Não podemos falar em um preço base, quando os preços ao consumidor dependem de um mercado livre", disse Joullier.

Nesse contexto, a Província de Santa Fé está tentando apaziguar os efeitos da crise, mediante o relançamento, pelo segundo ano consecutivo, de uma linha de créditos para o setor. A mesma é financiada pelo Novo Banco de Santa Fé, e é apoiada economicamente pela Província e pela indústria láctea. Os mesmos foram concedidos a 2100 produtores, e no ano passado, chegou a mais de 3000 produtores. Os créditos são de livre disponibilidade para um valor máximo de 8 mil pesos argentinos, e a taxas de juros zero ao produtor.

A metade do valor será paga pelo Estado de Santa Fé, e a outra metade, pela indústria láctea que corresponde ao produtor.

fonte: E-campo (por Alejandro Britos), adaptado por Equipe MilkPoint
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