Produção de leite cresce em Santa Catarina

Publicado por: MilkPoint

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Os números de aves e suínos, alavancados pelas exportações, geralmente são as vedetes do noticiário. Mas a produção de leite é outro setor que vem tendo bom desempenho em Santa Catarina e ganhando espaço em outras regiões do País.

De 1985 a 2001, enquanto a produção nacional cresceu 59,7%, atingindo 20,5 bilhões de litros por ano, Santa Catarina cresceu 78%, de 603,7 milhões para 1,076 bilhão de litros.

A diferença foi mais acentuada nos últimos anos. Na comparação entre 1997 e 2001 o crescimento foi de 10% no País e 26,28% no Estado. E a atividade continua em expansão. O engenheiro agrônomo do Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina (Icepa), Tabajara Marcondes, estima que a produção estadual deve crescer de 1,1 bilhão de litros em 2002 para algo em torno de 1,2 bilhão em 2003.

Marcondes acredita que o Estado vai continuar crescendo no setor, pois, além de estar presente na maioria dos estabelecimentos rurais, muitos produtores não têm outra alternativa.

Apesar de não ter um valor bruto tão significativo quanto suínos e aves, o engenheiro disse que a atividade abrange uma parcela maior da população rural, como fonte de renda em 50 mil propriedades, contra 15 mil de suínos e dez mil de aves. Ele ressalta que a redução na produção nacional, prevista para 2004, não deve atingir Santa Catarina.

Bacia leiteira

Dentro do Estado, a região que mais tem crescido na produção é o Oeste, que responde por cerca de 70% da produção. O veterinário da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e diretor técnico do Núcleo de Criadores de Bovinos de Chapecó e Região, Enedi Zanchet, estima que a atividade vai manter um crescimento entre 7% a 8% em 2004.

Zanchet disse que a procura por matrizes e cursos voltados à atividade dão um indício deste crescimento. Ele estima que a atividade tenha crescido na região numa média de 10% ao ano desde 1996. Novas indústrias, cooperativas e assistência técnica estimularam o crescimento, principalmente da produtividade.

Exemplo

Há sete anos, a família Pedroso resolveu montar um laticínio e industrializar a produção para agregar valor. O trabalho começou com apenas cinco integrantes da família e um empregado processando 300 litros de leite por dia.

Hoje, já são cinco empregados que ajudam a família para processar quatro mil litros de leite por dia. Para atender a demanda, a família recolhe a produção em mais 30 produtores da vizinhança.

Diariamente, são industrializados 1,5 mil litros de leite tipo C e 2,5 mil litros são transformados em 250 quilos de queijo, comercializados com a marca Natuleite.

Claudete Laval Pedroso disse que, com a industrialização, em vez de ganhar R$ 0,37 por litro, ganha R$ 0,75 a R$ 0,80 por litro, empacotado, e R$ 0,60 a R$ 0,80 para cada litro transformado em queijo. Claro que isso sem contar o custo de infra-estrutura e mão-de-obra. Mas a atividade está dando resultado e mantendo a família com renda no campo.

Ela destacou que sem o laticínio dificilmente haveria condições de sustentar todos no campo.

Seu cunhado, Márcio Pedroso, contou que em todas as propriedades vizinhas houve um aumento da produção de leite nos últimos anos. Tanto que a estrutura do laticínio já é insuficiente para atender o crescimento da atividade.

A família está investindo em uma nova unidade, que deverá iniciar com um processamento de dez mil litros por dia, 2,5 vezes maior que a atual. O novo laticínio da Natuleite terá Serviço de Inspeção Federal (SIF), o que vai permitir a venda para outros estados e, quem sabe, até exportação.

Fonte: Diário Catarinense (por Darci Debona), adaptado por Equipe MilkPoint
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