Presidente da Conaprole discute acordo feito com o Brasil; decisão deverá sair em breve

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O presidente da Conaprole (Cooperativa Nacional de Produtores de Leite do Uruguai), Jorge Panizza, classificou como prática comercial não aceitável o recente acordo comercial com o Brasil que regulamenta as exportações de leite em pó. Panizza lembrou que logo após a acusação de dumping, segundo ele infundada no caso do Uruguai, foi estabelecida uma tarifa superior a 16% para as vendas de leite em pó para o Brasil. O acordo das últimas semanas "é melhor que um acréscimo, mas não é uma prática comercial aceitável nem desejável em se tratando de Mercosul, quando se fala em liberdade comercial".

Através do acordo, ficou estabelecido um limite de preços mínimos de venda, o que é variável segundo as condições do mercado internacional. Em conseqüência, reduz-se "o caminho, encontrando uma solução ao problema que está centralizado no leite em pó, já que o resto dos lácteos não é afetado".

Com relação à proposta do ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, de aumentar as tarifas para os produtos de fora do Mercosul, Panizza disse que pode prejudicar a competitividade da região, apesar do setor de lácteos não sofrer maiores conseqüências. O presidente da Conaprole disse ainda que "a política de subir tarifas e fechar mercados, ainda que se trate de uma grande região como a do Mercosul, não é compartilhada. É um erro, já que o objetivo é de uma abertura de mercado, e pretendemos que as tarifas sejam mais baixas para termos maior competitividade".

Com relação ao setor de lácteos, a medida "não tem grande influência, mas no conjunto a região pode prejudicar a competitividade, uma vez que obriga os compradores de qualquer produto a adquirir os mesmos no Mercosul, acabando com a competição com a produção do resto do mundo. Acarretaria um encarecimento dos produtos ou perda de qualidade" . Segundo Panizza, a melhor defesa comercial é que "os mercados se abram e os produtos entrem em todos os países".

Brasil e Uruguai devem resolver impasse no comércio de leite em pó

Representantes do Brasil e do Uruguai discutem amanhã, em Assunção, no Paraguai, durante a reunião do Grupo Mercado Comum (GMC), a imposição da taxação antidumping feita pelo Brasil ao leite em pó uruguaio.

O setor privado brasileiro acredita que os dois países devem acabar com o impasse ainda nesta semana. 'Devemos facilitar as negociações com o Uruguai', disse o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes.

Para resolver os casos de dumping que também foram apurados nas vendas de leite em pó argentino, o Brasil fechou um acordo que estabelece com os produtores daquele país o preço mínimo de US$ 1,9 mil pela tonelada de leite em pó. Se as cotações internacionais ficarem abaixo deste patamar, serão aplicadas sobretaxas.

Para ingressar no Brasil, o leite em pó uruguaio paga, desde 23 de fevereiro, uma tarifa compensatória de 16,9%. A expectativa é que seja feito com o Uruguai um acordo semelhante ao da Argentina.

(Por Ayr Aliski, para Gazeta Mercantil, 28/03/01)
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