Nos últimos doze meses, os preços do leite pagos aos produtores em Goiás e São Paulo subiram em média 10%. Em Minas Gerais, principal Estado produtor de leite, o aumento foi de 3,5%.
Segundo o chefe do departamento econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Vicente Nogueira Netto, a recuperação dos preços deve-se ao câmbio valorizado (o que inibe as importações), à entrada do período de entressafra (com a conseqüente redução da oferta de leite no mercado interno), e a adoção, desde fevereiro, de tarifas antidumping para a importação do leite em pó. "Os preços do leite têm se recuperado, mas ainda estão abaixo dos praticados antes do Plano Real, de R$ 0,55 o litro", diz Nogueira.
Na região de Campinas (SP) e em Goiânia (GO), o produtor tem recebido R$ 0,35 pelo litro do leite. No sul de Minas, o litro do leite ao produtor sai por R$ 0,33, segundo a Scot Consultoria. No Paraná, o quinto maior estado produtor de leite do País, o preço pago ao produtor é de R$ 0,32 o litro.
A redução das importações também deve dar maior poder de barganha aos produtores, analisa Nogueira. 'Com o câmbio valorizado e as cotações internacionais do leite em média 30% mais altas, as empresas devem recorrer ao mercado interno', afirma. Segundo informações da CNA, nos primeiros quatro meses deste ano, a importação de leite em pó caiu 41,7%, para US$ 50,6 milhões, e 53,1% em volume, para 25 mil toneladas. Para este ano, a estimativa é de que as compras externas de leite em pó caiam pela metade, para 70 mil toneladas.
O recuo das importações tem levado as principais empresas captadoras do País a rever seus números de produção. A Itambé, segundo maior laticínio do País, deve produzir este ano 827 milhões de litros, volume 7% maior que o do ano passado, segundo Jacques Gontijo, vice-presidente da empresa. A Embaré, empresa mineira sediada em Lagoa da Prata, duplicou sua produção desde janeiro deste ano de 350 mil litros para 650 mil litros diários, segundo o presidente, Haroldo Antunes, para atender uma maior fatia do mercado do Nordeste, que consome 60% do leite em pó produzido no País.
fonte: Gazeta Mercantil, (por Mônica Scaramuzzo, com colaboração de Ellen Cordeiro), adaptado por Equipe MilkPoint
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