No ano passado, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou o uso de irradiação em produtos derivados de carne vermelha. Esse processo - que algumas vezes é classificado como "pasteurização eletrônica" - utiliza raios gama ou raios de elétrons para destruir qualquer bactéria patogênica que possa estar presente na carne.
Recentemente, pesquisadores do Centro Nacional de Doença Animal de Ames, Iowa (EUA), e da Universidade de Colorado, pesquisaram a capacidade da radiação gama de destruir o organismo que provoca a Doença de Johnes em vacas leiteiras. Os resultados mostraram que a irradiação consegue destruir com sucesso a Mycobacterium paratuberculosis, microrganismo responsável por esta doença, e pode ser uma alternativa para - até quem sabe eliminar - a pasteurização do leite.
Para conduzir o estudo, os pesquisadores contaminaram amostras de leite com 100 mil ou 1 bilhão de unidades formadoras de colônias da M. paratuberculosis por mililitro de leite. Em seguida, eles expuseram essas amostras a 3 níveis diferentes de radiação gama - 5, 10 ou 15 kGy, unidade que mede a energia gerada por fontes de radiação. As amostras controle não foram expostas a nenhuma radiação, nem tampouco sofreram pasteurização.
Após a irradiação, os pesquisadores fizeram cultura das amostras de leite, para pesquisar se o microrganismo causador da Doença de Johnes ainda estava presente. Os resultados mostraram que todos os níveis de radiação foram eficazes na destruição de 100% dos microrganismos inoculados anteriormente.
Além disso, os microrganismos não foram capazes de se regenerar, mesmo após alguns meses que a amostra ficou sendo observada nos meios de cultura. "Nós não conseguimos promover o crescimento deste microrganismo, mesmo após 6 meses de incubação," disse a microbiologista do Centro Nacional de Doenças Animais, Judy Stabel, que colaborou com o professor de radiologia da Universidade de Colorado, Chuck Waldren, e com o médico veterinário da mesma universidade, Frank Garry.
O próximo passo
Agora, é necessário realizar mais pesquisas para descobrir qual o nível mínimo de radiação gama capaz de destruir a M. paratuberculosis, segundo Stabel. Além disso, apesar dos resultados desta pesquisa terem sido bastante promissores, ainda é muito cedo para se afirmar que essa técnica pode substituir a pasteurização do leite.
A pasteurização é um método bastante efetivo na destruição da maioria dos agentes patogênicos para o homem. Entretanto, como a destruição do microrganismo que causa a Doença de Johnes por esse método ainda é bastante discutida, a irradiação do leite poderá aliviar uma preocupação de saúde pública, em particular, a possibilidade ainda não comprovada de que a Doença de Johnes pode estar associada à Doença de Crohn, nos humanos.
Fonte: Dairy Herd Management, adaptado por Equipe MilkPoint
Pesquisa mostra que irradiação do leite destrói agente que causa a Doença de Johnes
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