Pecuária leiteira perde rentabilidade
Publicado por: MilkPoint
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Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), nos últimos 12 meses, os gastos com alimentação do gado utilizando cana-de-açúcar subiram 14,7% para os produtores com média diária de 30 litros ao dia e 14,8% para a produção de até 15 litros ao dia. No caso do uso de milho, a alta foi de 18%.
De acordo com o pesquisador Leandro Ponchio, a dieta alimentar responde por 35% a 40% do custo total de produção de leite. "Os insumos subiram mais do que o preço do leite pago ao produtor", diz Marcelo Costa Martins, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo ele, nos últimos 12 meses, o leite teve reação de 4,89%, enquanto o preço médio das rações subiu 17,57%.
Martins acrescenta que um fato que pode influenciar a rentabilidade do produtor é o aumento do custo da ração pela não incidência da isenção do Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Confins). Segundo levantamento da CNA, para sistemas de produção altamente tecnológicos o aumento do custo de produção será de R$ 0,05 e para os pequenos R$ 0,02 por litro.
O analista da Scot Consultoria, Maurício Palma Nogueira, diz que, em razão da alta nos custos, a rentabilidade do pecuarista está baixíssima. Segundo ele, os gastos na produção estão muito próximo ao preço de mercado. Nogueira estima um custo médio de R$ 0,50 por litro.
Segundo levantamento do Cepea/USP, o preço médio pago ao produtor em agosto, para o leite entregue em julho, foi de R$ 0,56 por litro. Para Ponchio, se o preço do leite ficar abaixo de R$ 0,40 o litro, será insustentável a continuidade da produção devido aos custos altos. "Com certeza, se o preço cair, compromete a rentabilidade", avalia Nogueira.
Com a rentabilidade em baixa, os analistas verificam que o produtor vem investindo na melhoria da qualidade do leite e no aumento da produtividade. Prova disso, segundo a Scot Consultoria, é a diminuição da área de pastagem.
O analista da FNP Consultoria, Gustavo Mônaco, diz que nos próximos meses, com a entrada da safra de leite e entressafra de grãos, a situação do pecuarista tende a piorar, pois a tendência é de aumento dos custos e queda nos preços pagos pelo produto.
Segundo o presidente da Comissão de Leite da Federação de Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Eduardo Dessimoni, diante desse quadro, a expectativa é de produção estável para este ano, de seis bilhões de litros no estado.
No Sul, no entanto, a tendência é de redução na produção de leite, devido à estiagem que atingiu a região. Maria Sílvia Digiovani, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), diz que a seca afetou o pasto de inverno e, agora, a pastagem de verão está demorando a rebrotar, o que fez com que os produtores buscassem suplementação alimentar, aumentando os gastos.
A federação, no entanto, não sabe estimar em quanto seria este acréscimo. No Rio Grande do Sul acredita-se que a seca, no verão e posteriormente no inverno, afetará a produção, estimada em cerca de 2,1 bilhões de litros no ano, com redução de 15%.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Neila Baldi), adaptado por Equipe MilkPoint
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Obrigado, Marcos Matta