A Parmalat Finanziaria, a maior fabricante de produtos lácteos do mundo, teve sua nota de crédito cortada pelo segundo dia consecutivo, após não ter pagado bônus e depois da renúncia de seu diretor financeiro. A companhia deixou de cumprir o prazo para o pagamento de 150 milhões de euros (US$ 183 milhões) na segunda-feira (08), depois de não conseguir recuperar US$ 589,9 milhões de um investimento em um fundo hedge das Ilhas Cayman. Luciano Del Soldato renunciou no mesmo dia, sendo o terceiro diretor financeiro a deixar a companhia de Milão em menos de um ano.
"À luz dos eventos dos últimos dois dias, somos agora levados a acreditar que a maior parte das representações da Parmalat sobre sua posição de caixa parece ser ilusória", disse Hugues De La Presle, um analista da Standard & Poor's (S&P), com base em Paris, em uma teleconferência com analistas.
A S&P cortou ontem sua classificação de crédito da Parmalat e de sua principal unidade operacional, a Parmalat SpA, seis níveis para a nota CC, dez níveis abaixo do grau de investimento. A Parmalat anunciou, há um mês, que parte de seu caixa estava investido no fundo Epicurum e não em papéis de classificação de crédito ou de disponibilidade imediata, como foi declarado no seu relatório anual.
A companhia não revelou sua posição de caixa ou se teve acesso ao dinheiro necessário para saldar suas obrigações, informou a S&P. As negociações dos papéis da Parmalat permaneceram suspensas ontem pelo terceiro dia. As ações da companhia caíram 3,2%, fechando em 2,24 euros na sexta-feira passada.
Para acalmar os investidores, ela anunciou uma reestruturação, que pode incluir a venda de ativos. De imediato, a companhia avisa que honrará seus compromissos (os bônus) até 15 de dezembro, último dia para que evite ser declarada oficialmente em default. Além do bônus, a empresa tem 1 bilhão de euros em dívidas com vencimento em 2004 e outros 4,05 bilhões de euros até 2008.
Novo diretor
Enrico Bondi, ex-diretor da Telecom Italia e da Montedison, foi contratado para substituir Del Soldato e ajudar a reestruturar as finanças da companhia, informou a Parmalat na terça-feira (09). "Bondi sempre foi capaz de trabalhar sob grande pressão e grande dívida", disse Alessandro Avanzi, que ajuda a administrar o correspondente a US$ 295 milhões em ativos na Banca Valsabbina, em Brescia, e não detém ações da Parmalat. "O executivo é excelente em reestruturação, cortes e liquidações", disse.
A decisão da S&P seguiu-se a um rebaixamento de quatro níveis ontem. A agência de classificação de crédito citou como motivo da medida "um claro risco de inadimplência". Há dois dias, a Parmalat ostentava uma classificação de crédito de BBB.
Fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
Parmalat troca de diretor e enfrenta crise financeira
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