A Parmalat desativou ontem a produção de leite longa vida (UHT) da unidade de Santa Helena de Goiás e irá transferir a industrialização para as unidades de Carazinho, no Rio Grande do Sul, e Garanhuns, em Pernambuco. Em Goiás, serão produzidos apenas creme de leite, molhos lácteos e leite em pó. Resultado: 120 trabalhadores foram demitidos e centenas de produtores e cooperativas deixaram de entregar leite à indústria.
A captação vem caindo diariamente. Ontem, foram recebidos apenas 400 mil litros de leite. A capacidade instalada de processamento de leite é 1,2 milhão de litros.
Em nota à imprensa, a multinacional justifica que "a medida permitirá à empresa concentrar a operação, com busca de maior eficiência operacional, antecipar o aumento de sua rentabilidade e vai ao encontro do objetivo de proteger a unidade brasileira dos impactos decorrentes da atual situação da matriz na Itália".
Isso acontece um dia após os produtores e cooperativas anunciarem a pretensão de comprar a unidade goiana, que, conforme a empresa, não está à venda.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Macel Caixeta, disse que vai solicitar à diretoria da Parmalat que não desative a parte da produção de leite longa vida da unidade goiana e que analise a proposta de venda da fábrica para as cooperativas e produtores.
O secretário da Agricultura, José Mário Schreiner, garantiu que o governo estadual vai apoiar produtores e cooperativas na negociação com a Parmalat. "Não podemos permitir que a empresa desative, nem mesmo parte de sua produção na unidade goiana, pois o impacto na economia será muito negativo".
A notícia de desativação foi recebida como uma bomba pelo presidente da Centroleite, Haroldo Max de Sousa. "A redução da captação de leite pela Parmalat, em função da transferência de parte da indústria para o Rio Grande do Sul, significa que a captação ficará nas mãos de um menor número de empresas. Isso nos preocupa, pois pode criar um monopólio no setor".
Apoio
O secretário de Governo e Controle Interno da Prefeitura de Santa Helena, vereador Sílvio Marques de Araújo, disse que vai dar apoio no caso de negociação com a Parmalat para a compra da indústria. "Temos informações de que a empresa não pretende vender a unidade goiana, mas, se isso vier a ocorrer, queremos estar ao lado dos produtores goianos".
No entanto, os produtores que fornecem leite para a Parmalat estão desanimados. Muitos deles já deixaram de entregar o produto à fábrica de Santa Helena. É o caso de 171 associados de uma cooperativa de Quirinópolis, que produzem cerca de 30 toneladas de leite por dia. Eles deixaram de entregar o produto desde o dia 16 de dezembro, quando a empresa suspendeu o pagamento referente à entrega de leite in natura no último trimestre do ano passado.
Parte dos associados da cooperativa de Quirinópolis já negocia a venda do leite produzido no município com a indústria Nestlé que, segundo o presidente da cooperativa Prolac, Luís Antônio Andrade, paga um preço inferior à Parmalat, mas é para o produtor uma garantia de que terá seu produto no mercado.
O leite em pó recebido como pagamento da Parmalat está estocado em um galpão. Os produtores ainda não sabem o que fazer com o leite, já que não pode ser vendido na rede de supermercados porque a embalagem não é apropriada. São fardos de 25 quilos.
Rio Grande do Sul
A Parmalat reiterou ontem que efetuará o pagamento aos produtores gaúchos de leite nesta sexta-feira (16) e que a produção de Carazinho deverá aumentar.
O secretário da Agricultura, Odacir Klein, destacou que há um esforço para manter a Parmalat brasileira e a unidade de Carazinho é considerada como fundamental pela companhia. "No entanto, não temos condições, nesse momento, de conjeturar a situação da empresa no Estado".
Fonte: O Popular/GO (por Ada Bispo) e Correio do Povo (RS), adaptado por Equipe MilkPoint
Parmalat transfere produção de leite longa vida de Goiás
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