A Parmalat não quer vender ou arrendar a fábrica de Santa Helena de Goiás, mas se propõe a prestar serviços, através da terceirização da produção, como já faz com a cooperativa de Prata (MG): a fábrica receberia o leite, no mínimo 50 mil litros por dia, e o transformaria em produtos como leite em pó, longa vida ou cremes, com uma marca a ser indicada pelos produtores. Pelos serviços, a empresa cobraria 25% sobre o valor da produção.
A informação foi repassada ao presidente da Comissão de Pecuária Leiteira da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), Maurivan Siqueira, pelos integrantes da comissão de produtores que foram recebidos ontem pelo gerente da unidade da Parmalat de Santa Helena, após conversa telefônica com a diretoria da empresa em São Paulo.
O presidente da Faeg, Macel Caixeta, entende que a terceirização da indústria não é a melhor saída e que a proposta precisa ser analisada com critérios econômicos e jurídicos.
A Parmalat reconhece que tem uma dívida pendente de R$ 6 milhões com os produtores, cooperativas e pequenas laticínios goianos. Apesar de o pagamento ser considerado ponto prioritário, sobretudo porque a empresa tem interesse em continuar suas atividades em Goiás, não há previsão de quando liberará o dinheiro.
Adiado
Deverá ser adiado encontro do governador em exercício de Goiás, Alcides Rodrigues, com o presidente da Parmalat Brasil, Ricardo Gonçalves, por problemas de agenda.
O governador quer satisfações pela desativação de linhas de produção em Santa Helena, já que o governo investiu mais de R$ 160 milhões em obras de infra-estrutura por ocasião da implantação da indústria.
A Centroleite avalia hoje, com mais detalhes, os efeitos da crise da Parmalat no setor.
A senadora Lúcia Vânia também manifestou preocupação com os reflexos da crise da Parmalat na economia goiana. Ela propôs que o assunto seja apreciado, com urgência, pelas comissões de assuntos econômicos e sociais do Senado, pelos aspectos relativos ao emprego e à agricultura. A senadora também solicitou informações sobre a empresa aos ministros da Agricultura, do Trabalho e do Desenvolvimento Econômico.
Cooperativas de MG e GO páram de fornecer leite à Parmalat
Mais cinco cooperativas decidiram suspender o fornecimento de leite para a Parmalat em razão do atraso nos pagamentos por parte da empresa aos produtores. São três cooperativas em Goiás e duas em Minas Gerais, que se somam às 11 do Rio de Janeiro que já tomaram a mesma medida. A informação é da Folha de S. Paulo. Com isso, a Parmalat capta hoje 45,71% menos leite junto aos produtores goianos que que antes da crise, segundo Edson Alves Novaes.
Em MG, segundo Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite, duas cooperativas do Triângulo deixaram de fornecer leite à empresa. No ano passado, a Parmalat comprou 2,8% da produção mineira, o equivalente a 290 mil litros de leite por dia.
Fonte: O Popular/GO (por Sônia Ferreira) e Folha de S.Paulo (por Victor Ramos), adaptado por Equipe MilkPoint
Parmalat propõe terceirizar indústria a produtores de Goiás
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