Parmalat negocia novos empréstimos; diretor no Brasil renuncia

Publicado por: MilkPoint

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As autoridades da Parmalat preparavam-se para pedir aos bancos credores novos empréstimos para manter as fábricas abertas, em um momento em que a companhia italiana se vê em meio a acusações de fraude. O novo chefe da empresa, Enrico Bondi, iniciará hoje uma série de reuniões com banqueiros.

Ele deverá pedir aos principais bancos credores da Parmalat, como o Capitalia, o Intesa e o San Paolo IMI, entre € 50 e 100 milhões para pagar salários e fornecedores, segundo a mídia italiana.

Enquanto isso, o diretor de relações com os investidores da Parmalat do Brasil, Paulo Carvalho Engler Pinto Júnior, renunciou ao cargo em meio à crise da matriz na Itália, que entrou em concordata depois da descoberta de um rombo multibilionário em sua contabilidade. O conselho de administração da Parmalat aceitou o pedido e elegeu o executivo Andrea Ventura para assumir a função.

O comunicado foi encaminhado na sexta-feira (02) à Bovespa. A nota não explica o motivo da saída. A reunião do conselho que tomou essas decisões foi realizada a 19 de dezembro.

Prisões

O diretor da Parmalat na Venezuela, Giovanni Bonici, é alvo de uma ordem de detenção emitida pela Procuradoria de Milão (norte da Itália), não executada até o momento, por sua suposta ligação à quebra da empresa, informou a agência de notícias italiana Ansa.

Bonici é acusado, junto com outras sete pessoas detidas na quarta-feira (31), de formação de quadrilha e quebra fraudulenta. Tanzi foi acusado de ter desviado € 800 milhões. Fausto Tonna, que foi, durante anos, o braço-direito de Tanzi, admitiu ter falsificado os balanços da Parmalat, mas disse ter agido seguindo as ordens do fundador do grupo. Luciano Del Soldato substituiu Tonna como diretor financeiro da companhia.

Autoridades judiciais de Nova Iorque e Parma anunciaram um inquérito conjunto sobre as operações da Parmalat no mercado dos Estados Unidos, no momento em que se ampliam investigações sobre uma fraude multibilionária na empresa alimentícia italiana, disseram fontes judiciais.

Questionado se as autoridades em Parma e em Nova Iorque tinham aberto uma investigação conjunta, uma das fontes em Parma disse "sim".

Segundo as fontes, o pedido de investigação conjunta foi feito pelos investigadores de Parma. Durante o fim de semana, a polícia de Nova Iorque revistou o apartamento de Giampaolo Zini, advogado do ex-chefe da Parmalat, Calisto Tanzi, e recolheu documentos "úteis para a investigação", informaram as fontes. Zini está entre as oito pessoas presas na Itália por conta do caso.

Calotes

Pela estimativa de especialistas, a Parmalat detém hoje cerca de 70% do mercado do País. "Tememos que o calote que a Parmalat pode dar em pequenos produtores no estado do Rio seja apenas a ponta do iceberg", disse uma fonte da área econômica, referindo-se ao fato de a empresa ter adiado, nas últimas semanas, o pagamento de uma dívida com produtores de Itaperuna, RJ.

No Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), os técnicos têm trabalhado a toque de caixa, obedecendo a uma determinação do ministro Roberto Rodrigues. O governo desconfia que a dívida da Parmalat com as cooperativas possa superar a parcela de R$ 2,3 milhões referente ao fornecimento de leite no período de 1o a 15 de dezembro. Isso porque há outras regiões do País que têm a Parmalat como único receptor do produto.

Socorro

O BNDES também vê com preocupação a crise na Parmalat. Segundo uma fonte do banco, uma conclusão preliminar é que o risco do empréstimo de R$ 25 milhões feito à empresa italiana no final do ano passado é do agente financeiro, ou seja, do banco que intermediou a operação, e não do BNDES. Mesmo assim, o tema tem sido examinado com cuidado.

A questão, disse uma fonte ligada ao Palácio do Planalto, é que somente agora o caso ganha destaque entre os grandes temas do governo. Tanto que, amanhã, o ministro da Agricultura se reunirá com representantes de toda a cadeia produtiva de leite e derivados, inclusive da Parmalat, para discutir a crise no mercado brasileiro.

A partir daí, espera-se a elaboração de um diagnóstico, com impacto sobre empregos, renda e o verdadeiro prejuízo que, principalmente, os pequenos produtores que dependem da Parmalat deverão ter com os reflexos negativos da concordata e das prisões dos dirigentes da indústria italiana.

Até o momento, tudo é nebuloso para o governo e para parte dos segmentos da cadeia. A situação da empresa no País também é desconhecida, embora, nos bastidores, o que se diz é que, se a Parmalat fosse colocada à venda, haveria, pelo menos, três pretendentes à compra, entre as quais a Nestlé.

Origem da crise

A crise da Parmalat começou na América Latina há 15 anos devido a decisões erradas dos sócios da empresa, disse o juiz responsável pela apuração do desvio de fundos do grupo italiano, Guido Salvini. "Algumas das sociedades mais importantes da Parmalat estão na América do Sul (Brasil, Venezuela e Colômbia) e tiveram nestes anos graves prejuízos", afirmou em entrevista publicada domingo pelo jornal El Comercio, um dos de maior circulação do Equador.

A Parmalat opera em mais de 30 países e tem subsidiárias latino-americanas também na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Equador, México, República Dominicana e Nicarágua.

Seu ex-presidente e fundador, Calisto Tanzi, detido há nove dias, é um dos principais suspeitos da fraude financeira. Ele viajou ao Equador entre 21 e 25 de dezembro, antes de ser detido, e segundo suas declarações foi uma viagem de turismo, mas Salvini acredita que possa estar relacionada com a crise. "Pode ser que ele tenha ativado contatos para esconder ou corrigir problemas", afirmou o juiz milanês.

Na prisão superlotada de San Vittore, em Milão, o fundador e ex-chefe da Parmalat, Calisto Tanzi, descobre uma nova forma de tratamento vip. Ele tem cela própria, um chuveiro e um pequeno fogão de acampamento para cozinhar.

Advogados de Tanzi, que sofreu um ataque cardíaco há alguns anos, pediram que ele seja transferido da cadeia de 125 anos para a prisão domiciliar, mas procuradores dizem que ele poderia fugir e o juiz Guido Piffer determinou que pode ser mantido em San Vittore.

Tanzi está disposto a colocar seu patrimônio pessoal à disposição dos investidores para reduzir as conseqüências da crise na companhia. Ele disse que ativos próprios, como barcos e carteira de ações, devem ser utilizados para atenuar a crise.

A empresa Coloniale Spa, de propriedade da família Tanzi, detém cerca de 50% das ações da Parmalat Finanziaria, que controla a companhia. Entre o patrimônio disponível está a empresa de turismo do grupo, a Parmatour. Ele apresentou uma declaração em que afirma estar disposto a "dar as chaves do patrimônio" a Enrico Biondi, o homem nomeado pelo governo italiano para traçar uma saída para a crise que a Parmalat enfrenta no momento.

Fonte: Clic RBS/Agrol, Paraná On Line, Gazeta do Povo/PR e Zero Hora/RS, adaptado por Equipe MilkPoint
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