A produção de alimentos em Goiás foi identificada como área prioritária pela Embaixada da Itália no Brasil para iniciar um processo de cooperação que envolve governos, empresas e instituições, e que tem como objetivo elevar os padrões de qualidade do setor. "Estamos estabelecendo um vínculo muito forte no setor produtivo", disse o adido comercial da embaixada italiana Filippo La Rosa, ao explicar as motivações para realização do I Simpósio Internacional sobre as Tecnologias Alimentares, que ocorre em Goiânia amanhã e quarta-feira. É o que informa reportagem de Walter Sotomayor, publicada hoje na Gazeta Mercantil.
O evento conta ainda com a participação da Federação de Agricultura do Estado de Goiás (FAEG), da Universidade Federal de Goiás e do Sebrae local. A iniciativa representa também uma mudança no estilo de atuação da missão diplomática que confere prioridade ao relacionamento e às oportunidades de investimentos. "Em nossos contatos pelo interior do Brasil percebemos uma forte demanda por fórmulas para agregar valor à produção", disse La Rosa.
A instituição escolhida para participar do simpósio, a Estação Experimental para a Indústria de Conservas Alimentícias, vinculada à Universidade de Parma, é um centro de excelência que está disputando atualmente a condição de sede da Agência de Segurança Alimentar da União Européia. O centro de pesquisa, financiado pela indústria da alimentação, é um elemento central da região da Emilia Romagna, que nos seus 20 mil quilômetros quadrados consegue uma produção equivalente ao dobro da goiana. "A Universidade de Parma fez estudos sobre o acesso a mercados difíceis", lembrou o diplomata.
Mas, há outros interessados no sucesso da produção goiana: as empresas italianas Cirio, Parmalat, Ferrero-Rocher e a Case-New Holland, todas com importante presença no setor. "Queremos que as empresas italianas participem nessa transferência de conhecimento", disse La Rosa. A experiência a ser transmitida pelas empresas italianas no Brasil se aplica a todo o ciclo produtivo. O adido de Ciência e Tecnologia da embaixada italiana, Ferdinando Lombardo, acredita que "como a produção agrícola goiana está crescendo, chegou a hora de se preocupar com a qualidade", mencionando especificamente a produção de tomate e leite.
O Simpósio pretende reunir pesquisadores brasileiros e italianos, produtores, industriais e representantes de entidades de classe em três mesas redondas sobre o Impacto das Tecnologias sobre o Desenvolvimento Industrial, Tecnologia para a Produção Primária e Produto Transformado. Durante o encontro será assinado convênio entre a Universidade de Parma e a Universidade Federal de Goiás, para dar continuidade à cooperação no âmbito da tecnologia de alimentos que poderá caminhar para a abertura de uma estação goiana de pesquisa. O sucesso da experiência que começa em Goiânia pode ser levado a outros estados em setores como o da indústria de couros em Mato Grosso e de mármore e granito no Espírito Santo.
(Por Walter Sotomayor, para Gazeta Mercantil, 19/03/01)
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.