Pagamentos por sólidos é apresentado em seminário da Leite Brasil

Publicado por: MilkPoint

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O "1o Seminário Sobre Valorização dos Sólidos no Leite", ocorrido na última terça-feira (11/05), promovido pela Leite Brasil e pela DPA - joint venture da Fonterra e Nestlé para as Américas (clique aqui e leia entrevista de Gary Romano, da DPA, para o MilkPoint), buscou trazer aos cerca de 100 participantes informações sobre como poderia funcionar o pagamento por sólidos no País. Na opinião da entidade a discussão do assunto é necessária, já que o leite com mais sólidos é melhor e mais lucrativo para a fabricação de produtos com maior valor agregado, como leite em pó, condensado e queijos, além da crescente exportação de lácteos experimentada pelo mercado nacional, que torna necessário atrelar o pagamento da matéria-prima a maior eficiência de transporte.


Da esquerda para a direita: Karl Gradon (Fonterra), Russel Knutson (Livestock Improvement Corporation), Fabio Salles Meirelles (Faesp), Jorge Rubez (Leite Brasil), Valter Galan (DPA) e Flávio Portela Santos (Esalq/USP)

"O verdadeiro empreendedor tem de pensar no futuro da sua empresa e estar atento às mudanças que poderão surgir. Se o Brasil pretende ser um grande exportador de lácteos, precisa saber quais os caminhos a seguir para atingir o sucesso nessa área. Um dos requisitos é o pagamento por sólidos do leite. O seminário foi o primeiro passo. As ferramentas para se chegar a essa nova sistemática, pesquisa, genética, manejo, virão por conseqüência" afirma Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil.

Para que os participantes tivessem idéia dessa modalidade de pagamento foram chamados especialistas no assunto como o neozelandês Karl Gradon, gerente de desenvolvimento de Mercado da Fonterra Brasil, que informou sobre como a empresa, principal fabricante do seu país, responsável por 34% das vendas mundiais de lácteos, realiza o pagamento aos produtores. A Nova Zelândia aplica pagamento por sólidos há muitos anos e, para se ter idéia do resultado, para se produzir um kg de leite em pó integral naquele país são necessários 8,85 litros de leite fluido (sem perdas), enquanto no Brasil de hoje são necessários 10,1 litros.

Outro tema abordado foi o principal instrumento utilizado naquela nação para se obter rebanho com alta produtividade de sólidos: a genética. Sobre isso, palestrou Russel Knutson, gerente internacional da neozelandesa Livestock Improvement Corporation, empresa especializada em inseminação artificial. Outro palestrante foi o professor da Esalq/USP, Flávio Portela Santos, que falou de suas pesquisas sobre a influência da alimentação e do manejo do rebanho para obtenção de mais sólidos por vaca.

Gradon, que amanhã embarca para os EUA para assumir o cargo de gerente comercial da Fonterra naquele país, informou que 95% da produção de lácteos da Nova Zelândia são voltados à exportação, o que torna bastante custoso o processo de transporte do produto, já que o país está distante geograficamente de todos os seus mercados. Aliado a isso, a empresa atua principalmente no mercado de commodities lácteas que, por definição, tem no baixo custo um componente-chave.

Assim, com a filosofia denominada de "Cow to Consumer" ("da Vaca ao Consumidor"), a Nova Zelândia procura trabalhar com alta eficiência e baixos custos de produção, processamento e comercialização.

Naquele país, todo leite é pago por uma fórmula que leva em conta os teores de proteína e gordura, além de uma penalização ou um bônus por volume, dependendo do teor de sólidos: se esse teor for abaixo da média, o produtor é penalizado por estar entregando alta proporção de água; por outro lado, caso o teor de sólidos seja acima da média, o maior volume de produção é bonificado. O mecanismo de pagamento utiliza a seguinte fórmula:

  • Sólidos de Leite = gordura + proteína


  • A + B +/- C = $/kg


    A = Valor da Gordura - baseado no preço mundial
    B = Valor da Proteína - baseado no preço mundial

    C = Ajuste para volume total por coleta (incentiva grande escala)

    Menos - o valor que corresponde o número de pontos acumulados para qualidade inferior (veja abaixo)

    Todos esses fatores fazem com que o país priorize a produção de leite com alta qualidade e impute pesadas sanções a produtores que não atendam ao nível, o que é chamado pelo gerente de "estímulo à produção de qualidade". Essa exigência faz com que vários fatores componham a rejeição do leite como se o produto for de um animal que pariu nos últimos quatro dias, se contiver inibidores (antibióticos), água ou matéria estranha, a acidez for menor que 18o Dornic, não passar nos testes sensoriais, contiver contagens de células somáticas com média no mês maior que 400.000 unidade formadoras de colônia (UFC)/ml, não estiver resfriado suficientemente. Caso o leite tenha que ser rejeitado, o produtor paga por 100% do volume não aceito (o que pode ser o caminhão inteiro).

    Para falhas menores existe um sistema de pontos acumulados "similar ao modelo de pontuação da carteira de motorista no Brasil" explica Gradon. Se o produtor acumular muitos pontos pode ter até 9% do valor pago a ele descontado durante um ano e até ser desligado do fornecimento à empresa.

    Toda a produção neozelandeza é obtida através de 3.740.637 vacas, divididas em 13.140 propriedades, que ocupam 1.463.281 hectares, perfazendo em média 285 vacas por produtor, sendo cada hectare é ocupado por 2,6 cabeças, em média. No país são produzidos por ano 1.058.307 litros por fazenda, com uma média de 90.621 kg de sólidos por propriedade (em média 8,6% de sólidos). A Nova Zelândia impõe um rígido controle sanitário, já que grande parte do PIB daquela nação depende do setor. Atualmente 140 países consomem lácteos neozelandeses.

    Todas essas especificidades permitem que a Nova Zelândia afira a cotação do preço pago ao produtor para o ano todo. "Já estamos trabalhando para que possamos provisionar o valor trienal do produto", afirma o neozelandês. A previsão para este ano é que o País pague U$ 2,00 por kg de sólidos (gordura e proteína).

    Questionado sobre se as diferenças entre o Brasil e a Nova Zelândia poderiam impactar ou mesmo determinar a viabilidade no sistema de pagamento por sólidos aqui, Gradon admitiu que já refletiu muito sobre essa questão e que as nossas particularidades devem ser levadas em conta, mas que a tendência de implantação de um sistema de pagamento que reflita a eficiência de uso do produto é uma realidade.

    Já o neozelandês Russel Knutson falou sobre processos de seleção genética, lá realizados. Segundo ele foi identificado que a hereditariedade é responsável por 50% dos fatores que levam ao alto teor de sólidos, dentre os demais como alimentação, doenças, idade, raça, nível de produção, estágio de lactação e outros na qualitativa de leite. Outro benefício positivo da seleção dos componentes do leite é seu efeito na longevidade do rebanho.

    Ele citou uma análise uma análise realizada por sua empresa, que selecionou 150 reprodutores com maior produção e os 150 com menor produção de sólidos. O levantamento concluiu que os 150 maiores produzem leite com mais sólidos, geram um rebanho com maior índice de fertilidade, maior longevidade e, mesmo com menor índice de proteína e menor quantidade de leite, o resultado é um maior Valor Genético Econômico em comparação aos 150 de menor produção de sólidos (veja tabela).


    Ele mostrou que muitos produtores deixaram de se preocupar com a utilização de raças puras e passaram a buscar um processo de miscigenação de raças, visando atingir um rebanho mais lucrativo.

    Nesse sentido, Knutson informa que vem sendo muito utilizado o cruzamento entre as raças holandesas e jersey, resultando em uma vaca que produz um menor volume de leite, porém com mais sólidos que a primeira. Segundo o gerente, que afirmou o interesse de sua empresa em prestar serviços a produtores brasileiros, uma boa seleção genética é feita respeitando as características de cada fazenda. Ele ainda afirmou que, por melhores que sejam as provas em diversos países, nada substitituiria termos, no Brasil, dados obtidos em condições nacionais.

    O professor da Esalq/USP, Flávio Portela Santos, falou sobre suas pesquisas a respeito de como o manejo e a nutrição de bovinos influenciam na produção de sólidos. Ele abordou como o teor de concentrados e o teor de fibra efetiva na dieta influenciam o teor de gordura do leite, bem como a importância de aspectos muitas vezes relegados a segundo plano, como o conforto animal. "Em condições de stress térmico, o teor de sólidos cai, seja em animais confinados, seja em animais a pasto", afirma. Segundo ele, não se pode pensar que, somente por estar a pasto, não haverá problemas com baixo teor de sólidos. Outros fatores como a produção de leite, o estágio de lactação, idade e a genética foram abordados pelo professor.

    Santos alertou também que, embora gordura e proteína normalmente sejam os componentes que mais variam, ele tem verificado diversos rebanhos com teores variáveis e baixos de lactose, ao contrário do que normalmente se supõe. "Se olharmos a literatura norte-americana de 40 anos atrás, veremos que eles tinham esse problema também, que foi solucionado mediante uma nutrição mais adequada" (clique aqui e leia a entrevista do Prof. Flávio Santos ao MilkPoint, abordando o teor de sólidos do leite).

    Fonte: Paulo Roberto Brino Mattus, da Equipe MilkPoint
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    Dionisio Caproni
    DIONISIO CAPRONI

    MACHADO - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

    EM 15/05/2004

    Sou Funcionário da cooperativa agrária de Machado e também representante da Nz Brasil no Sul de Minas. Participei do seminário junto com o gerente industrial Paulo Roberto Magalhães Cavalcanti e achei muito plausível a idéia da Associação Leite Brasil. Tenho certeza que vamos ser o maior exportador de produtos lácteos do mundo, já que o Brasil tem grandes extensões de terras, clima que oferece taxas de lotações maiores do que as praticadas na Nova Zelândia.

    Só falta aos produtores do Brasil lembrar que não se ganha por volume de leite por vaca e sim por volume de leite por hectare e por qualidade, e a partir de tão logo por sólidos no leite, já que vamos exportar, de forma que água não interessa.

    Acredito também que devem procurar mais trabalhar em cooperativas. Veja o exemplo da gigante Neozelandesa Fonterra e também da Livestock Improvement Corporation que, na área de genética muito se fez para que seus sócios cooperados tivessem uma maior lucratividade no leite, já que não tem subsídios desde 1986 e só agora, há quatro anos, resolveram a mostrar para o mundo sua eficiência em genética para Produção de Leite a Pasto. Está na hora dos produtores Brasileiros passar a ver a Nova Zelândia como uma referência, não para copiar, mas sim buscar em sua genética a alternativa para conquistarmos o espaço no mercado mundial de produtos lácteos.

    Para isso, já contamos com a NZ Brasil distribuidora exclusiva no Brasil desta genética tão eficiente e que está cada vez mais ganhando mercado em Paises como Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, Austrália e muitos outros que almejam esta fatia de mercado tão importante, onde organismos como a (ONU) estão ajudando no combate à fome no mundo.

    Lembre-se que produtores de outros Países já estão se instalando no Brasil para produzir leite, portanto vamos juntamente com eles ganhar esse mercado.

    Quero também parabenizar toda a equipe do MilkPoint, em especial seu coordenador Marcelo Pereira de Carvalho por estas matérias e este espaço para que possamos fazer nossos comentários sobre este agronegócio tão importante e que gera tanto emprego e renda para o nosso País.

    Funcionário da Cooperativa Agrária de Machado e representante da NZ BRASIL no Sul de Minas Dionísio Caproni (035)3282-1498/9953-4384

    dionisio@axtelecom.com.br
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