A crise da Parmalat preocupa, mas, até o momento, não atingiu os produtores paranaenses que fornecem leite para a Batávia, indústria de laticínios do grupo italiano instalada em Carambeí. "No Paraná, até agora não temos problemas de atraso nos pagamentos e dívidas", informou o presidente do Sindileite (Sindicato da Indústria e Latícinios e Derivados do Paraná) e do Conseleite (Conselho Paritário Indústria/Produtores de Leite do Paraná), Wilson Thiesen.
Ele destacou também que existe o compromisso da Batávia de liquidar amanhã o pagamento mensal aos fornecedores de leite, relativo a dezembro do ano passado.
Com 2,2 bilhões de litros produzidos no ano passado, o Paraná é responsável por 10% da produção brasileira de leite. O volume destinado à Batávia não chega a 10% do montante estadual, segundo a Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
Thiesen considera prematuro fazer avaliações sobre o futuro da Batávia. "Temos de aguardar o que acontecerá com o grupo na Itália para saber como fica a situação no Brasil", disse. Segundo ele, a possibilidade de os produtores assumirem o controle da Batávia não foi cogitada por enquanto.
Embora a situação dos fornecedores paranaenses da Parmalat aparente normalidade, os reflexos da concordata da empresa italiana já começam a ser sentidos no mercado. O preço de venda do leite está em queda. "Há muita promoção de leite longa vida e queijos com preços baixos que derrubam o preço pago ao produtor, mas não podemos afirmar que isso se deve só a crise da Parmalat", declarou Thiesen.
O preço de referência do leite no Estado caiu de R$ 0,4128 por litro em novembro, para R$ 0,4049 no início de dezembro. O valor de janeiro será divulgado na terça-feira (20), na reunião mensal do Conseleite, mas a tendência é de nova queda.
Apesar de a redução parecer benéfica ao consumidor, o presidente do Sindileite e do Conseleite considera a situação preocupante "porque pode desestimular a produção no médio prazo. Com o leite longa vida vendido abaixo de R$ 1,00, há empresas operando abaixo do custo de produção. A tendência é faltar leite e os preços subirem demais".
Pagamento
A Cooperativa Central de Laticínios do Paraná, sócia da Parmalat e da Agromilk na Batávia, divulgou nota ontem afirmando que a empresa está em dia com os pagamentos dos fornecedores, apesar da crise de sua sócia.
"A Batávia S.A. Indústria de Alimentos, como ocorre desde sua fundação, encontra-se com suas obrigações rigorosamente em dia perante fornecedores e terceiros, não tendo suas operações afetadas por conta da crise enfrentada por uma de suas sócias". A nota informa ainda que a "Cooperativa Central de Laticínios do Paraná, desde o início da referida crise da Parmalat, vem mantendo rigorosa atividade de fiscalização de controle da Batávia (...), com o propósito de evitar que existam reflexos indesejados em suas operações".
A Parmalat tem 51% do capital da Batávia; a Cooperativa Central, 45,5%; e a Agromilk, 3,5%.
O advogado da Marins, Bertoldi, Efing & Rocha - Advogados e Consultores Associados, que representa a Cooperativa Central, Marcelo Bertoldi, afirmou que a Batávia está em dia com os fornecedores porque não depende dos recursos da Parmalat italiana, como ocorre com a Parmalat Brasil.
Segundo a nota da Central à imprensa, a Batávia "é uma sociedade autônoma e independente e para sua operação normal não necessita de aporte financeiro por parte de seus sócios".
Uma fonte próxima às empresas disse que a Batávia foi menos afetada pela crise da Parmalat porque conseguiu obter recursos junto a bancos para pagar os fornecedores de leite. As cooperativas que fornecem para a Batávia também foram afetadas pela decisão da Parmalat de atrasar pagamentos a terceiros, mas o fato de a empresa ter outros sócios teria facilitado a obtenção de recursos para pagar os fornecedores, disse a fonte.
A Batávia é uma das fábricas que mais receberam investimentos da Parmalat nos últimos anos e, segundo fontes do setor, haveria interesse das cooperativas em adquirir os 51% da empresa restantes. "Há várias viúvas da Batávia que gostariam de ter a empresa de volta", disse um analista.
A empresa emprega 1.400 pessoas e calcula-se que gere outros 7.000 empregos indiretos.
Fonte: Paraná On Line (por Olavo Pesch), Valor OnLine (por Alda do Amaral Rocha) e Bonde, adaptado por Equipe MilkPoint
Pagamento em dia no Paraná reduz efeitos da crise da Parmalat
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