Na OMC, Brasil revela preocupação com ação comercial europeia

Sem surpresa, o foco brasileiro voltou a ser na política agrícola europeia, considerada ainda complexa e com muitos subsídios. As barreiras se manifestam, por exemplo, pela tarifa média de 14,1% sobre produtos agrícolas importados, três vezes mais que para produtos industriais. Alguns picos tarifários chegam a 700%, impedindo na prática o comércio. A UE também estabelece 124 cotas tarifárias, limitando a entrada de certos produtos, numa espécie de comércio administrado. O Brasil reclamou da proteção particularmente forte do mercado europeu nos setores de carnes, lácteos, açúcar e etanol, para os quais espera melhor acesso com a negociação birregional.

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Enquanto negociadores do Brasil e da União Europeia (UE) tentam avançar esta semana na conclusão de um acordo de livre comércio, em Bruxelas, a delegação brasileira destacou na Organização Mundial do Comércio (OMC) algumas preocupações com a política comercial europeia, principalmente na agricultura.

No exame da política comercial da União Europeia, os parceiros fizeram 1.053 questões escritas aos europeus. A inquietação foi generalizada sobre efeitos do Brexit, a saída do Reino Unido do mercado comum europeu, em terceiros países. "Encorajamos a UE a assegurar que as negociações do Brexit não impliquem impactos negativos para terceiras partes e para o sistema multilateral de comércio", afirmou o embaixador brasileiro junto à OMC, Evandro Didonet.

Sem surpresa, o foco brasileiro voltou a ser na política agrícola europeia, considerada ainda complexa e com muitos subsídios. As barreiras se manifestam, por exemplo, pela tarifa média de 14,1% sobre produtos agrícolas importados, três vezes mais que para produtos industriais. Alguns picos tarifários chegam a 700%, impedindo na prática o comércio. A UE também estabelece 124 cotas tarifárias, limitando a entrada de certos produtos, numa espécie de comércio administrado. O Brasil reclamou da proteção particularmente forte do mercado europeu nos setores de carnes, lácteos, açúcar e etanol, para os quais espera melhor acesso com a negociação birregional.

A UE é o maior parceiro comercial do Brasil, o primeiro de origem de importações e segundo mercado para exportações. Depois do pico de US$ 100 bilhões por ano entre 2011 e 2013, o comércio bilateral tombou para US$ 70,6 bilhões em 2015 e continuou a cair no ano passado. A expectativa brasileira é a de que uma recuperação econômica no país estimule o comércio bilateral e ajude a diversificar suas vendas para a Europa, concentradas hoje em produtos básicos.

A UE é o maior investidor externo no Brasil, com estoque de € 329,9 bilhões. Por sua vez, o Brasil tem estoque de investimentos diretos externos de € 127,6 bilhões nos 28 países do bloco comunitário, sendo o quinto maior investidor na UE. 

As informações são do jornal Valor Econômico.
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