MG: Parmalat paga dívida em leite em pó

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A Cooprata (Cooperativa de Produtores Rurais do Prata), no Triângulo Mineiro, já faz parte dos grupos que enfrentam conseqüências geradas pela crise da multinacional Parmalat. A filial da Parmalat situada no município de Santa Helena de Goiás teve dificuldades em quitar uma dívida de aproximadamente R$ 1,5 milhão que tinha com a Cooprata.

De acordo com a direção da Cooperativa, a Parmalat teve de fazer uma permuta para pagar parcialmente o débito, quitando cerca de R$ 1,3 milhão, acertado com o fornecimento de 200 toneladas de leite em pó, processado pela Parmalat. Os R$ 200 mil restantes ainda não foram depositados na conta da cooperativa.

"Na primeira quinzena de dezembro não tivemos problemas, por isso continuamos o fornecimento de leite, mas, em janeiro, fomos pegos de surpresa com as notícias e a falta de pagamento", revelou o diretor da cooperativa, Carlos Henrique Pádua. Conforme explicou, a empresa não conseguiu quitar o débito referente ao leite comercializado entre 17 de dezembro e 1º de janeiro.

Diante das dificuldades de recebimento, a primeira medida foi cancelar imediatamente as remessas de leite para a empresa. Com a decisão, a Parmalat deixa de contar com cerca de 50 mil litros de leite/dia fornecidos por estes produtores.

A reportagem entrou em contato com a filial da Parmalat em Santa de Helena de Goiás, mas a direção da empresa preferiu não falar sobre o assunto.

Preços

Os produtores de leite de Minas estão enfrentando um novo problema decorrente da crise da Parmalat: encontrar compradores para seu produto. Depois da concordata da empresa italiana, o preço pago pelo litro, que normalmente já é baixo em janeiro em função da safra, despencou.

"As empresas compradoras estão usando o problema da Parmalat para derrubar o preço pago ao produtor", afirmou nessa quarta-feira o presidente da Comissão Técnica do Leite da Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais), Eduardo Dessimoni.

Segundo ele, o preço do litro que chegou a R$ 0,55 na entressafra, estava em torno de R$ 0,45 até dezembro. Depois que estourou o escândalo da fraude contábil da Parmalat, e que a empresa deixou de honrar compromissos com produtores brasileiros, as indústrias oferecem até R$ 0,38 por litro.

O Silemg (Sindicato da Indústria de Laticínio de Minas Gerais) confirma a prática, alegando que é a forma de a indústria lidar com o excesso de produção e a queda no consumo. "O preço tende a ficar baixo devido à dificuldade que os produtores têm de colocar o leite no mercado", afirmou o diretor financeiro da entidade, Celso Costa Moreira.

Fonte: Jornal Correio/Uberlândia (por Gustavo Moreira) e O Tempo, adaptado por Equipe MilkPoint
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