MAPA instala hoje Câmara Setorial do Leite

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Está marcada para hoje, às 9h30, a instalação da esperada Câmara Setorial do Leite no âmbito do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

As expectativas dos elos da cadeia do leite apontam para profissionalização e transparência, como indicado por Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), e para um "poder de fato e de direito", segundo observações de Carlos Humberto Carvalho, presidente do Conil (Conselho Nacional da Indústria de Laticínios).

Alvim afirmou esperar "uma relação mais profissional dentro da cadeia, mais transparente, possibilitando aos elos crescer de forma sustentável". Para ele, não é possível sustentar a atual situação, na qual o setor primário, se aumentar a produção para atender à demanda interna, terá seus preços aviltados. "Não faz sentido. Espero que a Câmara Setorial possa, com o tempo, estabelecer um projeto para a pecuária leiteira", desafiou.

Para Carvalho, será importante a formação e o tipo de poder que o órgão terá. "Se for um simples órgão consultivo para assessorar determinado setor do MAPA, poderá atingir alguns objetivos no médio e no longo prazo. Se tiver poder de veto - por exemplo, se aconselhar o MAPA para efeitos de alíquotas de importação - e for ouvido, passará a ter peso muito maior. Tudo o que vem a favor de leite, sou a favor. Estaremos presentes e faremos o possível para enaltecer o produto leite e ter soluções, nunca problemas", destacou.

Fonte: Mirna Tonus, da Equipe MilkPoint
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Ronaldo Augusto da Silva
RONALDO AUGUSTO DA SILVA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/11/2003

Permitam-me fazer uma analogia com o assunto transportes, serviços básicos e fundamentais, tanto para carga quanto passageiros. A diferença fundamental, de início, é que o setor transportes está no setor terciário da economia, onde as mudanças se processam mais rapidamente em função do poder das corporações. Onde os serviços são prestados mediante concessão ou permissão, ou mesmo autorização a título precário, o prestador do serviço tem uma planilha de custos que é aprovada pelo poder concedente. Onde prevalece o livre mercado, como no transporte de cargas, a planilha é apenas orientativa.

No caso do leite, o mercado é praticamente monopsônio. O comprador é apenas um, em várias localidades. Em outras há dois compradores, na melhor das hipóteses, que praticam religiosamente o princípio dos vasos comunicantes, administrando o preço.

Assim, a câmara setorial, a exemplo daquelas administradas pelo Ministério da Fazenda no início dos anos 90, deverá ter como objetivo avaliar o custo de produção do leite no Brasil. Custo médio nacional ou regionalizado, por estado, enfim um referencial do custo. Isso serviria para estabelecer o nível de remuneração do setor. Esse é um setor básico que obrigatoriamente tem que contar com o apoio do governo. Não se pode admitir a eterna omissão do poder público quanto à qualidade dos produtos lácteos vendidos, tampouco a opressão dos produtores nacionais pelas grandes corporações multinacionais que aqui administram nossos bens mais fundamentais de sustentação, tirando proveito da nossa descapitalização, desmodernização, desunião. Não se pode admitir as margens de lucros obtidas em cima da atividade mais básica do país: a produção de leite.

Ronaldo Augusto
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