Nova tecnologia usa nanomateriais para identificar características do leite

'Língua eletrônica' à base de nanomateriais detecta antibióticos no leite.

Publicado por: MilkPoint

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Pesquisadores do Brasil e dos EUA desenvolveram uma "língua eletrônica" que analisa leite de vaca e cabra utilizando sensores de náilon revestidos com MXenes, identificando três antibióticos simultaneamente. A tecnologia, ainda em fase laboratorial, utiliza métodos estatísticos para diferenciar os tipos de leite e reconhecer substâncias. Embora promissora, não está pronta para uso prático. O grupo também investiga outras aplicações para os MXenes, como em dispositivos de energia e remediação de poluentes.
Pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos desenvolveram uma “língua eletrônica” capaz de analisar amostras de leite de vaca e de cabra a partir de sensores produzidos com fibras de náilon revestidas com MXenes, uma família de nanomateriais bidimensionais. A tecnologia está em escala laboratorial e foi capaz de identificar três diferentes antibióticos — cloxacilina, tetraciclina e estreptomicina — mesmo quando presentes simultaneamente.

O estudo envolveu pesquisadores da Embrapa Instrumentação, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Drexel University, nos Estados Unidos, e foi publicado na revista ACS Omega.

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Os MXenes são materiais formados por poucas camadas atômicas, que podem combinar diferentes metais de transição com carbono ou nitrogênio. A diversidade de composições permite obter materiais com propriedades elétricas e químicas distintas, característica aproveitada pelos pesquisadores na construção dos sensores.

Figura 1
A 'língua eletrônica' é composta pelo impedancímetro (à direita) e pelo conjunto de sensores feitos de fios de náilon (à esquerda) que podem ser mergulhados no líquido a ser analisado (imagem: Luiza Stalder)

Sensores de baixo custo

Uma das novidades do trabalho foi a substituição dos eletrodos interdigitados de ouro, utilizados em versões anteriores da tecnologia, por fibras de náilon. As fibras são mergulhadas em uma dispersão contendo folhas de MXenes, que aderem à superfície do material e passam a funcionar como elementos sensores.

Foram utilizadas três composições diferentes de MXenes. Em contato com o leite, as interações entre as moléculas presentes na amostra e os nanomateriais alteram as propriedades elétricas das fibras. As respostas são então analisadas em conjunto, formando uma espécie de “impressão digital” da amostra.

O sistema utiliza métodos estatísticos multivariados, como a análise de componentes principais (PCA), para identificar padrões a partir dos dados elétricos gerados pelos sensores. Nos testes, a combinação permitiu diferenciar leite de vaca e de cabra e reconhecer os três antibióticos avaliados.

Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que a tecnologia ainda está em fase de pesquisa de bancada, realizada em condições controladas. Portanto, não se trata de um equipamento pronto para aplicação em fazendas, laticínios ou órgãos de fiscalização. Além dos sensores químicos, o grupo pesquisa outras aplicações para os MXenes, incluindo dispositivos de armazenamento de energia, nanogeradores e sistemas de remediação de poluentes.

As informações são da Agência FAPESP, resumidas pela Equipe MilkPoint.

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