Leite recupera preços em Minas Gerais; para produtores, valores são insuficientes

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O leite foi um dos itens que contribuíram para o aumento da inflação no mês de abril, registrando alta de 6,31% em Belo Horizonte, segundo dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Foi o maior reajuste do país.

Já as informações da Secretaria Municipal de Política de Abastecimento (Smab), mostram que os acréscimos teriam ficado em 4,6% de 27 de março a 30 de abril. Mas a notícia pior para o consumidor é que os preços do leite, que está sendo vendido, em média, a R$ 1,40, ainda deverão sofrer novos aumentos nos próximos três meses, e há a iminência de um desabastecimento.

A justificativa para as altas, de acordo com o presidente da Comissão Técnica de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Eduardo Dessimoni, é uma recuperação da defasagem de preços ocorrida entre 2001 e 2002 e, principalmente, das diferenças entre as regiões de Minas. "O descompasso chega a R$ 0,10 nos preços para os produtores", ressaltou.

No Triângulo Mineiro, por exemplo, o valor do litro fica entre R$ 0,49 (pequenos volumes) e R$ 0,61, enquanto que na Zona da Mata atinge apenas números entre R$ 0,39 e R$ 0,51. "O leite está subindo para alcançar um patamar, é um ajuste que deverá continuar em maio", destacou.
"O leite já melhorou em relação ao ano passado, mas ainda não é remunerador, fazendo com que muitos troquem a atividade por outras mais rentáveis, como o plantio de soja e milho. Há realmente uma preocupação de que novamente seja necessário entrar leite importado", revelou Dessimoni, lembrando que a queda do dólar pode estimular essa situação.

A troca das pastagens já vem acontecendo em regiões leiteiras importantes, como o Triângulo e Alto Paranaíba. Dessimoni acrescentou que o custo da produção é outro fator que desestimula a produção. "Está altíssimo pela subida da soja, do milho, adubo e, especialmente dos produtos veterinários, que não acompanharam o recuo do dólar", ressalvou. O especialista da Faemg complementou que, neste ano, a produção do estado deverá ficar estável em seis bilhões de litros por ano.

Fonte: Hoje em Dia/MG (por Luciana Rezende), adaptado por Equipe MilkPoint
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