A Câmara de Comércio Exterior (Camex) estabeleceu tarifas antidumping para a importação e leite em pó na sexta-feira passada, depois de se convencer de que havia concorrência desleal. As tarifas atingem exportadores do Uruguai, país que recebeu a taxação mais pesada, de 16,9%. Em seguida veio a União Européia (UE), com 14,8% sobre o produto exportado, enquanto a Nova Zelândia ficou com 3,9%. É o que informa reportagem de Ayr Aliski, publicada hoje na Gazeta Mercantil.
As discussões para chegar à aplicação destas medidas compensatórias sobre as importações de leite em pó demoraram dois anos, mas foi comprovada a prática de dumping, ou venda de produto abaixo do preço de custo, por parte dos exportadores, de acordo com denúncias feitas por produtores brasileiros.
A Argentina e a Arla Foods Ingredients, da Dinamarca, também acusadas de dumping, aceitaram adotar preços mínimos nas exportações de leite em pó para o Brasil. Em acordo firmado com o governo brasileiro, a Argentina aceitou que o valor mínimo da tonelada de leite em pó será negociado a US$ 1,9 mil, enquanto a Arla Foods aceitou fixar o preço mínimo em US$ 2 mil.
O chefe do departamento econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Vicente Nogueira Netto, prevê a retomada no crescimento da pecuária leiteira nacional a partir da decisão da Camex. A estimativa é que o Brasil produza 21 bilhões de litros de leite este ano, aumento de 5% sobre os 20 bilhões de 2000. A investigação sobre o dumping no leite foi aberta em janeiro de 1999, a pedido da CNA.
(Por Ayr Aliski, para Gazeta Mercantil, 28/02/01)
Leite importado recebe tarifa compensatória
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