Leite brasileiro é um dos mais baratos do mundo

Publicado por: MilkPoint

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Levantamento da FAO, agência para alimentação e agricultura da Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que o produtor brasileiro recebeu, nos últimos 12 meses encerrados em novembro, em média, US$ 0,15 por litro de leite. O valor é igual ao pago no Chile e maior somente que o preço pago aos produtores da Lituânia e do Uruguai, que recebem US$ 0,14 e US$ 0,13 por litro, respectivamente. Em uma lista de 43 países, o campeão de preços é o Japão, com US$ 0,75 por litro.

O boletim Milk Price Survey é feito com base em dados fornecidos por países membros da Dairy Outlook Information Network, da FAO. A agência observa, em seu boletim, que as cotações são apenas preços indicativos, isto é, "podem refletir diferenças de preços dentro de um país, bem como flutuações de preços e de câmbio durante o período do levantamento". Os dados relativos ao Brasil têm base em levantamento mensal da Federação de Agricultura do Estados de São Paulo (Faesp).

A competitividade da produção brasileira de leite é uma das explicações para o desempenho dos preços, mas a concentração do mercado e o baixo poder aquisitivo da população também são fatores que restringem os valores, explicam analistas e produtores.

O analista da AEX Consultoria, Antonio Xavier, observou que o Brasil tem custos de produção menores que o de outros países porque é beneficiado pelo seu clima. O gado, criado a pasto predominantemente, recebe suplementação alimentar na seca. Outra vantagem do Brasil, segundo Xavier, é o baixo custo da terra, já que ainda existem áreas a serem exploradas, diferentemente de outros países produtores também competitivos, como Uruguai, Argentina e Nova Zelândia.

Para o presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez , mudanças no mercado e nos hábitos de consumo pressionam as cotações no país. Ele explicou que, há cerca de dez anos, os preços ao produtor eram balizados pelo sistema cooperativo, que captava 70% da produção nacional. Hoje, após o avanço de grandes multinacionais como Nestlé e Parmalat no segmento, a captação pelas cooperativas corresponde a 40% da produção. "Há poucos compradores de peso no mercado de leite", considerou.

Rubez apontou ainda o sucesso do leite longa vida como um dos fatores de pressão. "A padaria foi substituída pelo supermercado, que passou a formar preços".

Há também um aspecto perverso que explica esse cenário para as cotações: a baixa renda da população que restringe a valorização do leite. "O preço é baixo porque [o produtor] precisa vender e o poder aquisitivo é baixo", argumentou Xavier.

Uma saída para aproveitar essa vantagem competitiva é a exportação de produtos lácteos, dizem os analistas. A receita com as exportações cresceu em relação ao ano passado, mas ainda é baixa. Entre janeiro e outubro deste ano, as vendas externas de leite em pó, leite condensado, queijos, manteiga, iogurte e cremes somaram US$ 33,9 milhões, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) compilados pela Scot Consultoria. No mesmo período de 2002, atingiram US$ 32 milhões.

Segundo o analista da Scot, Maurício Nogueira, o Brasil tem um potencial grande de crescimento no mercado internacional. Considerando a recomendação da FAO, segundo a qual cada pessoa deveria consumir 150 litros de leite por ano, Nogueira estimou um potencial de 330 bilhões de litros/ano. Hoje, o consumo per capita é de 97 litros por ano.








Fonte: Valor On Line (por Alda do Amaral Rocha), adaptado por Equipe MilkPoint
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Fernando Guerreiro
FERNANDO GUERREIRO

OUTRO - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 10/12/2003

Apesar de nosso leite ser o mais barato, temos uma variabilidade de alternativas as quais muitos Países não disponibilizam, como: área disponível, mão-de-obra, clima favorável, cultivares adquadas a todas as regiões. Temos o potencial de produzir o leite mais barato do mundo, leite a pasto, como viemos desenvolvendo vários projetos de leite irrigado, como o projeto da Fazenda Santa Clara situada na cidade de bossoroca RS, entre outros.

No momento em que o produtor entra no sistema de leite a pasto, com o sistema de piquetes, de imediato se abre um leque de vantagens como: menor índice de carrapato, mosca do chifre, parasitas, redução na utilização de insumos entre outros, com isso reduzindo drasticamente o custo de produção e conseqüentemente maior lucro.

Porém, para isso, há uma deficiencia de orientação ao produtor e cabe a nós técnicos levar esta informação e mostrar como a atividade pode ser bastante atrativa e rentável...

Atenciosamente,

Fernando Guerreiro Cruz
Gestor Comercial
Grupo Fockink
(055) 3375 9601
joselito gonçalves batista
JOSELITO GONÇALVES BATISTA

OUTRO - MINAS GERAIS - EMPRESÁRIO

EM 10/12/2003

Gostei muito da matéria e todos os pontos de relevância para ilustrar este cenário foram destacados com conhecimento de causa.

Mas o leite brasileiro poderia estar figurando num patamar um pouco acima do apresentado no gráfico, ou seja, algo em torno de U$0,22, que julgo ser o compatível com nossa realidade de produção/consumo, se realmente estivésemos praticando uma política de preço ao consumidor mais próxima da realidade de nossos custos, principalmente do produtor.

E como foi destacado nos comentários da matéria, o poder aquisitivo do consumidor é baixo, mas eu continuo questionando se esta responsabilidade é do produtor e da industria ou é do governo?

Acredito ser do governo e, portanto, cabe a ele implementar ações que viabilizem o consumo do leite por esta camada da sociedade abrangida por esta condição.

Mas e o restante da sociedade ou população não contemplada por esta condição financeira e que é a mais representativa numericamente, vai continuar a pagar tão barato pelo leite a ponto de custar menos que um copo de água ?

Se assim continuar realmente seremos o país com o leite mais barato do mundo em breve, isto se tivermos leite...
Qual a sua dúvida hoje?