A Itambé, empresa que acaba de ser criada pela Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), colocou à venda 49% do seu capital. O valor do negócio não foi revelado. Por enquanto, o controle continua nas mãos das cooperadas; o volume de ativos a ser transferido vai depender da negociação com o novo sócio. A Itambé é a segunda maior indústria de laticínios do País, com capacidade para processar até 1 bilhão de litros de leite por ano.
De acordo com o último balanço divulgado, relativo ao ano de 1999, o patrimônio líquido da CCPR era de R$ 208 milhões. O presidente da Itambé, José Pereira Campos Filho, explica que os ativos foram reavaliados pelo valor de mercado, aí incluídos os intangíveis, como a marca, a posição no mercado e a potencialidade do negócio. Esses ativos serão transferidos da CCPR para a Itambé S.A. No ano passado, a CCPR teve faturamento líquido de R$ 625 milhões. O lucro de R$ 35 milhões foi antecipadamente distribuído aos sócios da cooperativa, sob forma de acréscimos ao preço de mercado do leite fornecido por eles.
Pereira garante que, apesar da limitação de 49% do capital, o que torna o futuro sócio minoritário, o negócio da Itambé é atraente. "Mesmo tendo ampliado, nos últimos três anos, de 600 milhões para 1 bilhão de litros a nossa capacidade anual, já temos um projeto pronto, no valor de R$ 100 milhões. Será uma nova planta a ser instalada em Goiás, com capacidade para 200 milhões de litros/ano. O Brasil produz 21 bilhões de litros por ano e ainda precisa importar 2 bilhões de litros. Se a economia continuar estável e houver crescimento da renda, o consumo será maior".
Além de capital e tecnologia, o futuro sócio deverá também agregar à Itambé um novo poder de negociação com os supermercados. O presidente da Itambé prevê que, em alguns anos, o setor de supermercados deve ser dominado por poucas grandes redes, motivo que justifica a importância de uma política especial de negociação com os gigantes do setor.
A Itambé deve contratar um banco, nos próximos dias, para ser o agente do negócio. O presidente da Itambé confirma que grandes grupos internacionais estão sondando a empresa, entre eles a New Zealand Dairy Board, que acaba de desistir das ações da Vigor.
(Por Pedro Lobato, para Gazeta Mercantil, 04/04/01)
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