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Interleite Sul, Craig Bell da Leitíssimo: temos que fazer a lição de casa e esperar menos do governo

craig bell - interleite sul“Os produtores de leite no Brasil precisam parar de colocar a culpa dos problemas nas importações de leite, pois esse não é o caminho”. Foi com essa ênfase que Craig Bell, Diretor da Leitíssimo (Fazenda Leite Verde localizada no Estado da Bahia) e da Delicari, iniciou a sua conversa com a Equipe MilkPoint sobre as “Oportunidades que o Brasil tem para ser competitivo e não aproveita como deveria”. Este também será o tema da sua palestra no Interleite Sul 2018, evento que será realizado em Chapecó/SC nos dias 09 e 10 de maio.

Craig acredita que atualmente o foco primordial na área leiteira e a principal oportunidade recaem sobre a possibilidade de melhorias na produtividade e sobre o equilíbrio de preços com o mercado internacional. Segundo ele, para este ano, mesmo com o consumo doméstico se recuperando, a sua percepção é que com o aumento na produção interna de 2017, teremos preços do leite mais próximos aos internacionais e não 20-30% acima como visto no ano passado.

“É essencial que adequemos o que temos para ser competitivos com o preço do resto do mundo. Vale citar aqui que a Nova Zelândia possui hoje 11 mil propriedades de leite com aproximadamente 25 mil funcionários na lida. No Brasil, são quase 900 mil propriedades leiteiras e mais de 1 milhão de funcionários em média inseridos nesse contexto. Analisando essa situação, precisamos pensar em maneiras de melhorar nossa eficiência produtiva. Temos que enfrentar essa realidade e não ficar esperando ações do governo para barrar as importações de outros países e acreditar que esse episódio salvará o nosso negócio”.

leitísismo
      Craig Bell é Diretor da Leitíssimo (Fazenda Leite Verde localizada no Estado da Bahia) e da Delicari

Craig explica que em momentos de recessão, o leite é substituído por outras bebidas, como suco de laranja. “Com o iogurte, isso também acontece, já que os brasileiros não enxergam o produto como algo fundamental para seus lares. Eles optam pelo iogurte quando estão mais capitalizados e isso não é diferente para os queijos. O consumo de lácteos está relacionado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e com o capital que sobra no bolso do consumidor no final do mês. Nas crises, as empresas podem até fazer campanhas a fim de divulgar sua marca, porém, nada como o dinheiro no bolso das pessoas parar girar a economia novamente”, completou, destacando que no Brasil os preços dos produtos lácteos ainda são muito caros e muitas vezes inacessíveis.

“Os preços dos queijos normalmente são muito altos. Isso ocorre porque não temos eficiência em toda a cadeia. Se quisermos estimular o maior consumo de lácteos no país, precisamos pensar em um menor preço para o nosso alvo final, este que não pode e nem deve subsidiar a ineficiência dos produtores que tratam a produção sem profissionalismo. Como já pincelei anteriormente, para sermos competitivos, precisamos pensar em produtividade, nos litros de leite/funcionário/dia e em economia de escala. Os produtores sérios ficarão no negócio e normalmente têm um perfil mais comprometido com seus negócios”.

Com relação à qualidade do leite, Bell pontua que já passou da hora de evoluirmos neste quesito. “Nossos níveis de CCS (Contagem de Células Somáticas) ainda não são compatíveis com os do mercado internacional. Também, fica complicado fabricar um bom produto nessas condições. Precisamos dar um basta em quem trata a produção de leite como brincadeira. A mensagem final que deixo é: o jogo precisa de regras claras que sejam respeitadas, por todos”.

Mas quem é Craig Bell? 

Craig Bell é um dos neozelandeses que decidiu investir no Brasil. Hoje em dia ele é diretor da Fazenda Leite Verde, situada na região do sudoeste baiano, em Jaborandi. A fazenda ganhou destaque por manter características próximas às fazendas neozelandesas porém adaptada à realidade local. A propriedade está entre as maiores produtoras do Brasil, ocupando a 24ª posição (produção de 20.017 litros de leite/dia) segundo o levantamento Top 100 2018 elaborado pelo MilkPoint e que será disponibilizado em março aos leitores. Grandes pivôs e o cruzamento Kiwicross (Holandês e Jersey) fazem parte do sistema de produção, que visa otimizar o uso de insumos. Desde 2009, a fazenda produz e envasa leite longa vida sob a marca Leitíssimo. Ele também é diretor da Delicari, marca de laticínios (iogurtes e sorvetes) elaborados apenas com ingredientes naturais, sem corantes, aromatizantes ou quaisquer outros componentes artificiais. 

Dividida em seis painéis, a programação do Interleite Sul 2018 discorrerá sobre os principais temas de interesse no momento para a cadeia:

- Mercado e Organização da Cadeia do Leite;
- Excelência no Compost Barn;
- A transformação do leite no Sul do país;
- Assistência técnica visando o novo contexto da produção de leite no Sul do país;
- Tecnologia aplicada;
- Economia da produção de leite.

Neste link, você garante sua inscrição com desconto até o dia 05 de março > http://www.interleite.com.br/sul/inscricoes

Aproveite para confirmar a sua presença na página do Interleite Sul no FacebookPor meio dela também serão publicadas novidades sobre o evento!  

Para quaisquer outras informações sobre patrocínio ou dúvidas, envie um e-mail para ana@agripoint.com.br ou ligue para (19) 3432-2199.

interleite sul 2018

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JOSELITO GONÇALVES BATISTA

UBERABA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/03/2018

Bem amigos, conheço o trabalho do Craig desde a sua chegada ao Brasil capitaneado pelo Eduardo Palmerio de Uberaba-M.G. Realmente concordo com ele no que tange as ações e conceitos de produção desenvolvidos por eles é que não podemos culpar as importações como os motivos para a crise que vivenciamos no setor aqui no país. Mas uma coisa é ter verticalizado o sistema e outra ser produtor e ter que conviver com uma política ordinária e totalmente insegura como a que somos obrigados a suportar como produtores de leite neste país . A saída é solução seria todos verticalizar suas produções e alcançar a alto suficiência como eles. Sabemos desta impossibilidade, então precisamos sim do apoio governamental com políticas coerentes que garantam segurança e dignidade aos produtores de leite deste país. Gostaria de saber se o Craig conseguiria implantar e investir como vez , recebendo os preços praticados ordinariamente como estão sendo hoje ???
Parabenizo o prumo neozanlandez pelo belíssimo e competente trabalho desenvolvido mas o foco do seu depoimento precisa ser melhor avaliado , em função da grande e maçiça maioria de produtores não terem possibilidade de trabalhar como eles ... Quanto a qualidade do leite entendo a necessidade de melhoria, mas está também lincado com a capacidade de investimento do produtor , pois com estes preços não é possível trabalhar para reduzir drasticamente a ccs como ele citou. O custo deste trabalho é altíssimo e as bonificações pagas não suprem este custo. Além do que as bonificações existem realmente pro leite que atinge patamares muito a quem da legislação nacional; ou seja; enquanto a legislação diz que leite de qualidade é aquele que a ccs esteja abaixo de 600 mil ufc, as bonificações realmente atraentes são pagas com o resultado abaixo de 200 mil ufc. Sabendo ainda que manter tenhamos com resultados neste nível é altamente perigoso, pois corre-se o risco de um surto de contaminação microbiana e de bactérias , pois as vacas estão próximas da imunidade . Portanto tomemos cuidados com nossos comentários para que eles não sejam injustos com a grande maioria desta classe tão sofredora e desvalorizada neste país.
DARLANI PORCARO

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/02/2018

O problema maior que no Brasil, os impostos , sobre os produtos que precisamos para trabalhar , é um absurdo, como uma navalha de picadeira de 180,00 reais , eu paguei quase 60,00 reais de imposto, fora os remédios , os insumos , e dai por diante, é um roubo ao produtor, então tudo isso pesa na produção de leite.
SERGIO BLOS LOPES

INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 01/03/2018

Sim Darlani, os impostos são caros.

Mas tomando por base o que o Craig apresenta como conceito em sua palestra, se no rateio dos custos de sua planilha voce tiver maior receita, os custos proporcionalmente serão menores.

Concordo e apoio o movimento para reduzirmos a carga tributaria, contudo digo também que mesmo com os impostos nos níveis que estão ainda se pode aumentar a receita e o resultado da atividade implementando ações para aumentar a eficiência.

Vamos lutar para a redução de impostos e focar nas ações que aumentem nossa eficiência!