Desde antes das festas de final de ano, a crise da Parmalat tem ocupado a mídia internacional e brasileira, refletindo a preocupação dos agentes do setor com a cadeia láctea e oferecendo informações das investigações sobre a empresa.
Com base em notícia publicada hoje pela Gazeta Mercantil, "a Parmalat está na mira da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O presidente da autarquia, Luiz Leonardo Cantidiano, afirmou que a maquiagem contábil deflagrada na Itália pode ter impactado os balanços financeiros da empresa no Brasil". De acordo com o jornal, a Comissão concluirá em breve a análise minuciosa dos balanços financeiros da Parmalat e, para Cantidiano, "a empresa está na prateleira do mercado de capitais e a preocupação não é maior porque não há investidores a proteger".
Ainda segundo o periódico, "a Parmalat possui 100 mil debêntures em tesouraria, sem investidores nem credores. Foi registrada como companhia aberta em 1985, com emissões de prazo vencendo em outubro deste ano".
O Valor OnLine publicou que os cotistas do FIDC (Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios) da Parmalat marcaram assembléia para 19 de janeiro para decidir sobre a liquidação da carteira. E que "a avaliação do presidente da CVM, Luiz Leonardo Cantidiano, é de que o fundo deverá ser liquidado". A mesma notícia diz que, de acordo com Alexandre Zakia, diretor do Itaú BBA, "o passivo atual do fundo é de R$ 132 milhões sendo R$ 112 milhões em cotas sênior e R$ 20 milhões em cotas subordinadas" e revela que "há sinais de que a Parmalat sofre restrições de crédito por parte de bancos brasileiros".
"O presidente da Coopersul (Cooperativa dos Produtores Rurais do Sul Fluminense), Almiro Rossi, tentou descontar duplicatas no valor de R$ 200 mil avalizadas pela Parmalat em bancos de Volta Redonda, RJ, mas ouviu 'não' de quatro gerentes", continua o texto do Valor.
Sobre a situação da empresa italiana, a Gazeta Mercantil abordou a possível desintegração da Parmalat por ter colocado à venda a filial de biscoitos nos EUA, a Parmalat Bakery North America, proprietária da marca Archway.
Na Espanha, de acordo com o jornal, "os antigos proprietários da Clesa, também filial do grupo, esperam uma possível venda da empresa para recomprar os ativos. Embora no setor de laticínios espanhol se dê como certo que a Parmalat colocará à venda sua filial espanhola Clesa, a decisão ainda não é oficial". O presidente e antigo proprietário da empresa, Arturo Gil, teria confirmado sua disposição de "recomprar a empresa caso a Parmalat decidisse vendê-la" e assegurado que "a operação teria de realizar-se com a participação de outro grupo de empresários". Fontes do mercado, segundo a Gazeta Mercantil, avaliaram que a compra da Clesa, em 1998, envolveu cerca de € 132 milhões (US$ 167,54 milhões).
Previsão
De acordo com o Clic RBS/Agrol, "o presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez, demonstrou otimismo quanto ao fim da crise desencadeada pela concordata da Parmalat na Itália" e "acredita que até fevereiro ou março a questão deverá estar resolvida, com a retomada da estabilidade no setor".
"Na sua avaliação, o rombo financeiro que veio à tona com a descoberta de fraudes contábeis na matriz italiana da multinacional não deverá causar problemas graves aos fornecedores de leite do grupo no Brasil", continua o texto.
Para Rubez, segundo a notícia, "não será difícil despertar o interesse de uma multinacional ou de um grande grupo na aquisição do controle da Parmalat no Brasil".
O Clic RBS publicou que, ontem, ele "defendeu a busca de uma saída emergencial para resolver os problemas que já começaram a surgir em conseqüência da crise da Parmalat" e sugeriu a liberação de EGF "para garantir a estocagem de produtos em forma de leite em pó ou de derivados como o queijo, principalmente para os produtores que estão sem receber das usinas de processamento de leite".
Em contrapartida, ainda conforme essa notícia, ele "rechaçou a possibilidade de um socorro empresarial via empréstimo do BNDES". "'Não vejo sentido para uma intervenção governamental em forma de ajuda financeira na empresa', afirmou, justificando que a medida desviaria dinheiro público de áreas importantes como infra-estrutura, saneamento básico e educação", continuou o texto.
Entre as notícias publicadas por jornais de todo o País sobre a reunião do Mapa, o Diário da Manhã, de Goiás, publicou declaração do presidente da FAEG (Federação de Agricultura de Goiás), Miguel Caixeta, para quem "o governo deve acatar as propostas" do grupo de trabalho, e do presidente da Centroleite, Haroldo Max de Souza, que aguarda tranqüilo o anúncio das medidas. "Tenho certeza de que o governo vai entender o problema e vai liberar mais do que o EGF que precisamos, até porque a Parmalat é a segunda marca do mercado e a falta dela trará reflexos em toda cadeia de leite do País", disse, segundo o periódico.
Fonte: Equipe MilkPoint
Informações sobre a empresa e repercussões no setor ocupam a imprensa
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