A Indústrias Flórida Ltda, responsável pela fabricação do doce de leite com a marca Da Província, vai iniciar este ano a produção de derivados do leite, como queijo, manteiga e leite condensado. As plantas industriais para realização dos novos processos estão sendo instaladas em uma área de 22 mil metros quadrados no município de Juiz de Fora, região da Zona da Mata, onde funcionou, até 1995, uma usina de beneficiamento de leite da gigante italiana Parmalat. O custo total do projeto, de acordo com a diretora da empresa, Valéria Dias David, está estimado em R$ 2 milhões, sendo que parte do investimento será feita a partir de recursos próprios e o restante através de um financiamento solicitado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Inicialmente concebido para possibilitar a expansão da produção de doce de leite e iniciar a fabricação dos derivados, o projeto da nova unidade das Indústrias Flórida estava previsto para ser concluído em sete meses, data que correspondia ao mês de outubro do ano passado. No entanto, com a decisão de investir também na produção do leite condensado, Valéria afirma que as previsões tiveram que ser refeitas. O novo endereço deverá entrar em operação apenas no próximo mês, quando a plataforma para recepção do leite estiver pronta, possibilitando assim a fabricação da manteiga, cuja produção inicial está estimada em dois mil quilos por dia e será feita nos equipamentos adquiridos na usina comprada da Parmalat.
Instalada hoje em uma área de 3 mil metros quadrados, a Indústrias Flórida, afirma Valéria, está operando com a capacidade total de produção, impedindo o atendimento de novas demandas. Apesar de preferir não revelar o volume de doce de leite fabricado pela empresa, a diretora conta que as novas instalações vão permitir um crescimento, em princípio, de 50% da produção, mas este percentual pode chegar a 100%, de acordo com a demanda do mercado, dos testes com os novos processos e adequação dos funcionários à estas práticas.
"Para ser competitivo no mercado do doce de leite é preciso ter uma produção grande, que reduza os custos fixos. Se a empresa não tiver criatividade e não investir na modernização dos equipamentos e processos, ela não vai para frente", assinala Valéria. Dentro deste contexto, a diretora afirma que a Indústrias Flórida optou por mudar o processo de fabricação do doce de leite utilizado na sede atual e está trocando quase todos os equipamentos. O objetivo é obter uma produção com custos reduzidos, mas que atinja volume e qualidade superiores aos atuais.
A maior motivação da Indústrias Flórida para execução do projeto, destaca Valéria, é a crescente demanda pelo doce de leite, apresentada principalmente por outras empresas interessadas em comercializá-lo com marca própria. As vendas para essas empresas podem continuar representando 35% da produção total de doce da Indústrias Flórida mas, com o aumento da produção, este número, em volume, será consequentemente ampliado. Valéria afirma que todo o projeto de expansão foi concebido com base em uma demanda reprimida por estes produtos (doce de leite, manteiga, leite condensado), identificada pela empresa através do número de procuras não correspondidas. Por isso, ela acredita que toda a produção da nova unidade será absorvida. A expectativa é que o doce de leite comece a ser fabricado a partir do mês de maio.
A fabricação do leite condensado, prevista para iniciar entre os meses de maio e junho, também foi decidida com base na demanda reprimida. Valéria afirma que a intenção da Indústrias Flórida é destinar 70% da produção, estrategicamente não revelada pela diretora, para outras empresas comercializarem com marca própria e vender o restante em embalagens de 2,1 quilos para estabelecimentos que precisam de grande quantidade, como as padarias.
Com cerca de 4 mil clientes em todo o Brasil, o doce de leite Da Província tem como principal destino os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Minas Gerais fica com pouco da produção e para a executiva isto se explica, em parte, pelo número de fábricas informais que existem no estado e abastecem suas regiões.
No entanto, a empresa está de olho no mercado externo e, por isso, executou o projeto de expansão seguindo orientações de técnicos e do Ministério da Agricultura para se enquadrar no projeto HACCP, que analisa pontos críticos que podem comprometer os processos produtivos da empresa para adequá-la às exigências do mercado internacional. As determinações do HACCP, de acordo com Valéria, contemplam desde orientações para a construção das instalações, até o treinamento dos funcionários em relação à higiene e ao rigor na compra de matéria-prima, entre outros.
(Por Thais Herdy, para Gazeta Mercantil, 08/03/01)
Indústrias Flórida investe R$ 2 milhões na produção de derivados do leite
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