O impasse sobre o uso de crédito fiscal no cálculo do valor da Vigor é a razão oficial apresentada para o fracasso da longa negociação de venda das ações do laticínio à neozelandesa Milk Products Holding, controlada da New Zealand Dairy Board (NZDB). O acordo de aquisição, datado de 31 de agosto de 2000, transferiria 51% do controle da Vigor para a NZDB, a maior exportadora de lácteos do mundo.
Segundo Vinícius Vieira Ramos, vice-presidente da Vigor, os neozelandeses queriam abater US$ 60 milhões do valor inicial de US$ 138,9 milhões estipulado no acordo. A cifra corresponde ao acréscimo projetado pela empresa brasileira em seu patrimônio, decorrente da postergação por vinte anos do pagamento do ICMS referente à unidade de margarina da Refino de Óleos Brasil (ROB), que começa a operar na próxima semana em Anápolis (GO). O laticínio investiu R$ 6,5 milhões na unidade goiana de refino e margarinas.
Segundo Ramos, os neozelandeses tinham conhecimento do crédito fiscal que a ROB recebeu do governo goiano, antes da assinatura do acordo de compra e venda das ações, de agosto passado. Caso o negócio tivesse sido aprovado, a New Zealand aportaria mais US$ 83,3 milhões no laticínio brasileiro ao longo de três anos.
O fim do negócio não é comentado pelo Rabo Bank, banco holandês que assessora a NZDB em sua tentativa de adquirir um grande laticínio brasileiro. A Itambé, que, segundo fontes do mercado, já havia sido um dos alvos da companhia neozelandesa, agora pode voltar a ser sondada.
(Por José Alberto Gonçalves, para Gazeta Mercantil, 04/04/01)
Impasse sobre crédito fiscal põe fim à negociação da New Zealand com a Vigor
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