Empresários do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Goiás (Sindileite) criaram uma comissão, denominada Centroqueijo, para debater as questões do segmento e propor soluções para a crise que atravessa o Estado. Como uma primeira ação concreta, os empresários querem reduzir em cerca de 15% a produção de queijo, ofertando aproximadamente 300 mil litros de leite/dia para a produção de leite em pó e longa vida.
O laticinista Ananias Justino Jayme, um dos coordenadores da Centroqueijo, explicou que reduzir a produção foi uma das opções encontradas pela indústria para tentar provocar uma reação dos preços do queijo. Com o leite custando em média R$ 0,30, só a matéria-prima para a produção de um quilo de queijo (dez litros de leite) custa R$ 3,00, mas o produto está sendo comercializado, hoje, por apenas R$ 4,00 o quilo no atacado. "Se você computar o custo com mão-de-obra, energia, instalações, embalagens e impostos, vai descobrir que o setor está trabalhando praticamente sem qualquer rentabilidade", diz o coordenador da Centroqueijo.
O objetivo dos empresários é chegar a um corte de 30% na produção queijeira, na medida em que mais indústrias forem aderindo à proposta da Centroqueijo. A solução é provisória e contrária ao interesse do próprio Estado, que é de expansão de sua agroindústria. O segmento deve buscar junto ao governo a negociação de políticas mais definitivas, capazes de assegurar a necessária estabilidade da indústria queijeira. Uma das medidas poderia ser um combate mais efetivo à produção informal e a redução da carga tributária sobre o queijo, que hoje está entre as mais altas do País. A alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é de 9% para as operações interestaduais e de 12%, para as internas. O Tocantins cobra 1% e São Paulo 7% nas operações internas.
A Centroqueijo vai pedir uma audiência com o secretário da Fazenda, Jalles Fontoura, para reivindicar uma redução das alíquotas do ICMS, além de providências para conter a concorrência desleal do produtores informais de queijo, que não pagam imposto, não investem em instalações modernas, e nem se submetem às normas sanitárias do setor.
(Por Edimilson de Souza Lima, para O Popular/GO, 28/03/01)
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MilkPoint
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