Fornecedores esperam pagamento da Parmalat para hoje
Publicado por: MilkPoint
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Só para os fornecedores de leite, a estimativa é que a empresa tenha que pagar cerca de R$ 70 milhões por 45 dias de captação, segundo cálculo baseado nas compras anuais da empresa. Há ainda dívidas com fornecedores de matérias-primas para a fabricação de biscoitos, empresas de transporte e de embalagem.
A necessidade de apresentar garantias líquidas às instituições financeiras levou a empresa a criar estratégias para girar mais rápido seu estoque. Durante toda a semana, uma série de promoções de produtos Parmalat em grandes supermercados chamou a atenção dos consumidores. "A única garantia que a empresa pode apresentar neste momento são duplicatas de redes de varejo de primeira linha. Para isso, precisa vender mais, desovando ao máximo seu estoque", explicou uma fonte dos bancos.
Em recentes levantamentos de preços para a pesquisa mensal do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) identificou, segundo uma fonte do Instituto, que uma grande quantidade de produtos Parmalat, como o leite longa vida, se encontrava em promoção nas principais redes varejistas da Grande São Paulo.
Segundo fonte da indústria de laticínio, além do Moinho Pacífico, a fabricante de embalagem longa vida Tetra Pak parou de fornecer suprimentos à Parmalat. Como normalmente as empresas trabalham com 15 dias de estoques, disse a fonte, a Parmalat pode ter falta do produto dentro desse período.
A fabricante negou que tenha cortado o suprimento. Informou que a entrega segue normal, mas sob garantias de pagamento, sem revelar quais. A Parmalat representa mundialmente 3% das vendas totais de embalagens da empresa, uma das principais fornecedoras da empresa italiana.
Segundo a reportagem apurou, a Tetra Pak consultou ontem escritórios de advocacia para saber os efeitos de uma possível concordata da empresa e até que ponto o corte de fornecimento poderia levar a Parmalat a paralisar suas operações, prejudicando um plano para salvar a empresa.
Desde que estourou a crise na matriz, em meados de dezembro, a Parmalat reduziu os volumes de pedidos de embalagens. A menor atividade já levou a empresa a conceder férias coletivas para cerca de metade dos funcionários de sua fábrica em Jundiaí, SP, e a mesma medida poderá ser adotada em outras unidades.
Entre os fornecedores de serviços, a expectativa é grande. A André Luiz Transportadores, por exemplo, que faz a distribuição de produtos Parmalat em Goiás, ameaça deixar de atender o laticínio caso a empresa não honre o pagamento hoje. O calote da Parmalat está fazendo a André Luiz atrasar seus pagamentos a postos de gasolina, informou a empresa.
Também fornecedora da Parmalat, com farinha de trigo, a Bunge não tem pagamentos atrasados a receber. Há uma dívida pendente, mas dentro do prazo de pagamento, segundo a empresa.
Os bancos credores continuam a acompanhar as movimentações na Justiça, ao mesmo tempo em que negociam seus créditos com a Parmalat. Nos Estados Unidos, ontem, o Bank of America (BofA) anunciou que fez pesadas provisões para o caso Parmalat. O banco tem créditos a receber de US$ 274 milhões em empréstimos concedidos e operações de derivativos. Desse total, US$ 105 milhões estão respaldados por seguro de crédito e outros US$ 18 milhões, por depósitos em dinheiro.
Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) avisou que "provavelmente rebaixará significativamente o rating" do fundo de recebíveis da Parmalat, caso os cotistas decidam pela manutenção da carteira na assembléia marcada para segunda-feira (19).
Fonte: Valor OnLine, adaptado por Equipe MilkPoint
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