Faerj estuda compra da fábrica em Itaperuna por produtores
Cooperativas de Goiás buscam em outras empresas recursos para pagar produtores
Dean Foods estaria interessada na Parmalat brasileira
Quase 14 anos após iniciar sua expansão no país, com a compra de 19 empresas, a Parmalat tem hoje menos da metade do número de fábricas que possuía nos tempos áureos e contabiliza 13 anos de prejuízos. Das 20 unidades que chegou a ter no final de 2000, restam hoje nove.
Na última semana, colhida pela crise financeira que atinge a matriz italiana, a empresa viu seu crédito secar e suspendeu o pagamento aos fornecedores de leite e de polpas usadas na produção de sucos de fruta.
A estimativa de produtores e concorrentes da empresa é que o valor em atraso chegue a R$ 20 milhões, mas, segundo a empresa, foram postergados apenas os pagamentos às cooperativas. Os produtores independentes, que entregam diretamente o leite à empresa, têm sido remunerados.
A suspensão dos pagamentos foi uma medida preventiva, segundo a Parmalat, diante das dificuldades em financiar o capital de giro. Somente às cooperativas de produtores de leite do Rio de Janeiro, a empresa já deve R$ 4,6 milhões, segundo o presidente da Faerj (Federação da Agricultura do Estado do Rio de Janeiro), Rodolfo Tavares. A Faerj cogita formar um pool de cooperativas para comprar a fábrica da Parmalat em Itaperuna, que processa quase metade do leite distribuído no Estado.
A Folha de S. Paulo apurou que há outros interessados em adquirir a operação local da Parmalat. A Dean Foods, uma das maiores companhias americanas de alimentação e líder no processamento e distribuição de leite nos EUA, estaria de olho na Parmalat brasileira.
Especulação
A Parmalat considerou "mera especulação" tal intenção. Segundo a empresa, até 31 de janeiro, quando vence o prazo para a conclusão da auditoria que a Price Waterhouse Coopers inicia em todas as unidades do grupo italiano no mundo, nenhuma decisão sobre desimobilização de ativos será analisada.
As operações locais da Parmalat foram tragadas pela crise da matriz com o vencimento, anteontem (17), de uma operação de recompra de ações da Parmalat brasileira que estão em poder do Bank of América e de um grupo de investidores.
Segundo a Gazeta Mercantil, a Parmalat Finanziaria informou ontem que se empenha para dar continuidade às negociações com o objetivo de adiar a data de vencimento para exercer a opção que a obriga a recomprar uma participação de US$ 400 milhões da sua subsidiária instalada Brasil.
A informação foi divulgada pela empresa, por meio de um comunicado distribuído pela Bolsa Italiana. Parte da opção, que obriga a Parmalat a comprar uma participação de 18% dos investidores minoritários da subsidiária brasileira, poderá ser exercida a 22 de dezembro, informou a companhia.
A Parmalat também informou que, diante de um impasse, decidiu suspender as conversações para recuperar um investimento de cerca de US$ 590 milhões do fundo de investimento Epicurum, sediado nas Ilhas Caiman. A suspensão foi decidida devido à auditoria da Price Waterhouse Coopers.
Cooperativas
O Valor Online informa que cooperativas de Goiás que fornecem leite para a Parmalat têm sido atingidas pela decisão da empresa de adiar os pagamentos a fornecedores por conta da crise de sua controladora, a Parmalat Finanziaria.
A Centroleite, de Goiânia, teve de obter recursos junto a outros laticínios para pagar os produtores que fornecem leite à Parmalat, segundo uma fonte da empresa. No dia 17, a Parmalat deveria fazer um pagamento de R$ 500 mil à central de cooperativas, mas avisou, no dia 10, que somente poderia quitar o débito em 17 de janeiro. Depois, a Centroleite recebeu a carta da empresa informando sobre a postergação dos pagamentos.
Segundo essa fonte, a Centroleite conseguiu que outras empresas adiantassem o pagamento do leite. Assim a empresa pôde pagar os produtores.
A Centroleite é formada por 14 cooperativas. Desse total, seis fornecem leite para a fábrica da Parmalat no estado, em Santa Helena de Goiás. A Parmalat recebe 70 mil litros diariamente da central, 10% do que esta capta por dia.
A Complem, cooperativa de Morrinhos, que também fornece para a Parmalat, teve de utilizar recursos próprios para pagar uma parcela de R$ 500 mil a produtores de leite. Segundo o diretor de produção da cooperativa, Rubens de Paula, a Parmalat informou que adiaria o pagamento do dia 17 deste mês e o de 5 de janeiro para 16 de janeiro de 2004. A Complem entrega 75 mil litros de leite por dia para a Parmalat, de um total de 300 mil que capta no período. A Parmalat não se pronunciou sobre o assunto.
O MilkPoint apurou que cerca de 500 mil litros diários, hoje vendidos à Parmalat, já foram ofertados a pelo menos um grande concorrente, mas o mercado se encontra abastecido.
Fontes: Folha de S.Paulo (por Sandra Balbi), Valor Online (por Alda do Amaral Rocha), Gazeta Mercantil, adaptados por Equipe MilkPoint
Fornecedores buscam alternativas face à situação da Parmalat
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
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