A gigante do setor de lácteos da Nova Zelândia, Fonterra, espera para saber se os Estados Unidos permitirão que a companhia continue a fazer negócios com o Iraque, poucos dias antes de o programa "Óleo por Alimento", das Nações Unidas, chegar ao fim.
A Fonterra, sexta maior companhia de lácteos do mundo em vendas e primeira em exportações, tem sido fornecedora de leite em pó integral ao Iraque por meio do programa da ONU desde 1998. Entretanto, com o fornecimento humanitário de alimentos sendo passado para o controle dos EUA no final deste mês, os contratos da companhia - no valor de até US$ 50 milhões por ano - deverão ser renegociados.
O diretor de governo e política comercial da Fonterra, Philip Turner, disse que está confiante na continuidade do comércio com o país, apesar da piora da situação de segurança, que ameaça atrasar o prazo final de 21 de novembro para a transferência dos contratos feitos sob o programa "Óleo por Alimento", para um controle da coalizão. "Como fornecedores de longo prazo ao mercado do Iraque, queremos manter essa posição".
Os partidos da oposição da Nova Zelândia relataram a preocupação de que as críticas feitas pelo governo sobre a invasão do Iraque tenham criado um problema na relação com os EUA e prejudicado as perspectivas de comércio das companhias locais. No entanto, a rede de notícias de televisão árabe Al-Jazira disse que a Fonterra tem garantias de que isso não afetará as chances de uma renovação dos contratos.
Tendo participado da Conferência em Madri sobre a reconstrução do Iraque, no final de outubro, Turner disse que o presidente do Conselho de Governo iraquiano, Iyad Allawi, garantiu-lhe pessoalmente que o problema era puramente financeiro e de logística - e não político -.
"Não existe nenhuma evidência de que a importação de produtos lácteos esteja sendo tratada de outra forma que não de maneira totalmente comercial", disse Turner. Ele disse que Allawi - cujo Ministério é responsável por importações de alimentos - também reconheceu o papel da Nova Zelândia como um fornecedor tradicionalmente importante de produtos lácteos ao Iraque.
Apesar de o Iraque ser responsável por somente uma pequena proporção das vendas bilionárias anuais da Fonterra, a companhia, há muito tempo, tem considerado o Iraque como um mercado importante, particularmente para leite em pó integral.
Pelo programa "Óleo por alimento", a companhia neozelandesa forneceu entre 50 mil e 60 mil toneladas de leite em pó integral por ano - cerca de 10% do comércio total deste produto feito pela Fonterra -. "Sob um novo regime há um enorme potencial para diversificar para outros produtos; a população do Iraque terá a oportunidade de ter manteiga e queijo novamente", disse Turner.
O programa está em seus estágios finais, dando prioridade aos contratos feitos pelo antigo governo do Iraque com a entrada de agências da ONU e da Autoridade Provisória da Coalizão (Coalition Provisional Authority - CPA). "Uma vez que o programa for transferido ao CPA a 21 de novembro, a coalizão priorizará qualquer contrato remanescente e também terá total autoridade para renegociar ou cancelar os contratos existentes, à medida que precisem ser renovados", disse o representante da Missão Permanente da Nova Zelândia para a ONU, Nichole Roberton.
Fonte: Australian Associated Press Pty Limited (AAP), adaptado por Equipe MilkPoint
Fonterra está na expectativa com relação a comércio com Iraque
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