Fazenda Paraíso conclui processo de liquidação do rebanho e passa a atuar em TE
Publicado por: MilkPoint
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"A Fazenda Paraíso, localizada em São João da Boa Vista, SP, e uma das mais tradicionais criadoras de gado holandês do país, iniciou o processo de seleção da raça Holandesa em 1947, com importação de matrizes e uso de reprodutores de destaque genético. Foi uma das primeiras fazendas a usar inseminação artificial (IA), quando ainda não se usava sêmen congelado, e se valia do controle leiteiro para selecionar suas matrizes (segue foto do controle de 1957). Além disso houve muito critério de avaliação fenotípica, no processo seletivo", contou o médico veterinário Ângelo Carluccio Neto, gerente da propriedade, a qual liquidou recentemente seu rebanho, que foi vendido para a Agrindus, terceira maior produtora de leite do país, de acordo com o levantamento Top 100 2002 do MilkPoint (clique aqui para ver a relação dos 100 maiores).
De acordo com Carluccio, como resultado desse trabalho técnico, a Paraíso possuía um rebanho de cerca de 550 matrizes, com equivalente-adulto em torno de 10.000 kg, em 305 dias, segundo o controle leiteiro oficial. A produção média de outubro de 2003, das últimas 174 vacas em lactação, foi 40,2 kg diários por vaca. "Esse status técnico e a tradição fizeram com que mantivéssemos uma fiel carteira de clientes, que adquiriam matrizes e reprodutores, independentemente das condições de preço do leite no mercado", observou.
A Paraíso terminou o ano agrícola 2001/02, a 30 de abril de 2002, com 1.030 cabeças. Nesse período, produziu 13.000 litros de leite diários, na média, com 453 vacas em lactação. "Naquele momento, tínhamos decidido reduzir o rebanho para 80 a 100 vacas em lactação, e manter um número mais alto de bezerras e novilhas, para que fossem oferecidas ao mercado", comentou. De acordo com suas informações, o processo de venda de matrizes aconteceu durante 18 meses, aproximadamente, sendo que a decisão pela liquidação total aconteceu em um período muito curto, "aproveitando uma oportunidade que surgiu, boa para ambos os lados". Na última venda, o rebanho estava com 174 vacas em lactação, 136 secas, 250 bezerras e novilhas, e dez touros.
Para Roberto Jank Jr., da Agrindus, foi uma "boa oportunidade diante de um plantel reconhecido e com uma característica que interessa muito, o controle sanitário, pois a Paraíso não compra vacas de fora há 50 anos, garantindo um controle absoluto". A possibilidade de pagar com o leite das vacas, segundo Jank, encorajou ainda mais a realizar o negócio. Ele informou que este foi o segundo rebanho que a empresa adquiriu em seus 55 anos. "O primeiro plantel era exatamente igual, com controle absoluto de origem, adquirido da Bragança, de Olímpio Stockler", comparou, comemorando o aumento de produção que a compra permitiu à Agrindus. Com a aquisição de 6 mil litros, foi possível passar dos 40 mil litros diários.
Carluccio confessou que a liquidação foi desconfortável do ponto de vista sentimental e histórico, mas necessária do ponto de vista empresarial. "Apesar de nos firmarmos cada vez mais no mercado de matrizes especializadas, devido ao uso da TE (Transferência de Embriões), e percebermos importantes movimentos na cadeia produtiva do leite que culminariam com a profissionalização da produção, fomos pressionados pelo crescimento da demanda por receptoras para TE, tanto de fertilização in vitro (FIV), quanto de coleta convencional", explicou.
O veterinário informou que, a partir disso, decidiu-se concentrar toda a energia na nova empresa, a Paraíso do Embrião, uma central de receptoras ligada a uma central de FIV e com equipe técnica de coleta convencional. O objetivo, segundo ele, é empregar a experiência e o profissionalismo adquiridos na história da Fazenda nesse novo negócio de prestação de serviço. "Nossa meta é alojar duas mil receptoras em terra própria", informou, observando que hoje elas representam metade dessa meta.
Questionado sobre a mudança de rumos na atividade da Fazenda, Carluccio admitiu que a liquidação de um rebanho tradicional causa certa tensão no mercado. "Muitos conhecidos e clientes, quando souberam da venda, comentaram que, se a Paraíso estava liquidando, todos os outros criatórios liquidariam também. Não acredito nisso, pois os modelos de produção mais simples causam impacto na garantia da qualidade e volume do leite produzido, embora tenham menor custo. Infelizmente, garantia de qualidade e volume ainda não são valores percebidos pelo mercado. As negociações entre produtores e laticínios acontecem de forma oportunista e não planejada", desabafou, afirmando que o modelo da Paraíso está correto, mas no momento errado.
Ele acredita que, com o trabalho das entidades de representação como Leite Brasil, Láctea Brasil, CNA, entre outras, e a pressão do mercado exterior, o modelo de produção sofrerá amadurecimento e melhorias, profissionalizando-se, seja a pasto, semiconfinado ou confinado.
Na opinião de Carluccio, as fazendas que liquidam seus rebanhos de leite continuam com alguma atividade agropecuária mais rentável ou mais simples. "Gostaria muito de saber que nossos dirigentes se sensibilizaram com esses freqüentes episódios e que facilitarão os acontecimentos para a profissionalização da cadeia produtiva. Nossa sobrevivência como País e Nação, diante do mercado globalizado, depende disso. Produção de Leite é um negócio altamente rentável e de grande potencial no Brasil, e não uma área para política assistencialista", denunciou.
E disparou: "A saída da Paraíso do segmento de produção de leite é conseqüência da exploração das habilidades da nossa equipe para uma atividade mais interessante neste momento, e da falta de profissionalismo do setor de produção leiteira. O estilo de negociação das empresas ligadas ao nosso grupo é totalmente diferente do estilo de negociação da cadeia de produção de leite. O Brasil, por meio dos produtores, que precisam se filiar e apoiar as entidades de representação de classe, precisa exigir a criação regras de negociações que preservem aqueles que são profissionais. Fatalmente, esta solução está na reestruturação e no fortalecimento das cooperativas".
Nova atividade
Carluccio informou que a Paraíso do Embrião pretende oferecer mais tranqüilidade aos proprietários de doadoras quanto à multiplicação de suas matrizes. Seus principais clientes são criadores de porte pequeno, médio e grande, que experimentaram realizar o processo de manejo de receptoras em suas fazendas e perceberam um grau de dificuldade idêntico ao de sua atividade principal. "Localizar, selecionar e comprar novilhas; submetê-las a uma quarentena eficaz; manejar os diversos lotes para não comprometer as taxas de prenhez; descartar animais inaptos à reprodução, entre outros fatores, representam um dispêndio de energia e capital importante", detalhou.
Ele disse que os clientes preferem concentrar a atenção na seleção e no comércio de seus rebanhos puros, deixando à central as transferências dos embriões, recebendo a receptora com a prenhez confirmada e sexada. "É interessante observar a diversidade de raças que têm lançado mão dessa terceirização de serviço. Hoje, temos embriões implantados das raças Nelore, Guzerá, Bonsmara, Canchim, Gir Leiteiro, Simental e Holandês", observou, destacando a preocupação com a desmama e a importância de a receptora ser bem desenvolvida, ter capacidade de amamentar o bezerro e estar totalmente protegida contra as doenças mais comuns, principalmente enfermidades da esfera reprodutiva.
Fonte: Mirna Tonus, da Equipe MilkPoint
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CRISTALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 26/08/2008
Embora não possuindo capacidade profissional específica, por ser advogado, o meu ganho de conhecimento na área leiteira, como autodidata, depende muito de trabalhos técnicos como o presente, que, ao abordar tema tão interessante, com clareza e inteligibilidade, dá ao leitor uma ampla visão sobre a necessidade de aprimoramento técnico da atividade que é tão sacrificada pela política brasileira de não valorização econômica da ação agrícola e pecuária.
Considero, pois, a abordagem do tema digno de um site como o MILKPOINT, preocupado, em oferecer bom material de pesquisa, entre outros.
Atenciosamente,
REGNER