Exportações de produtos lácteos da UE aumentaram no ano passado

Publicado por: MilkPoint

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O enfraquecimento do euro-dólar e a demanda global sustentada por queijos e leite em pó desnatado fizeram com que as exportações de produtos lácteos da União Européia aumentassem no ano passado. Neste ano, porém, as exportações podem ser prejudicadas pelas restrições às importações, devido à crise da encefalopatia espongiforme bovina (EEB) e à febre aftosa, segundo informado pelo Foreign Agricultural Service, do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A produção de leite na União Européia, no ano passado, foi um pouco mais baixa do que em 1999, devido à diminuição no número de vacas de leite e às contínuas restrições à produção determinadas pela UE, apesar do pequeno aumento na cota para alguns estados-membro. O decréscimo na produção de leite no ano passado foi mais perceptível no Reino Unido e na Holanda.

A produção deve crescer esse ano, mas as medidas referentes à crise da doença da vaca louca irão eventualmente reduzir o número de gado. Os focos de febre aftosa podem também provocar uma parada temporária nas exportações de lácteos, e podem reduzir o número de vacas de leite, particularmente no Reino Unido.

O consumo de produtos lácteos na UE foi maior do que o esperado, devido principalmente ao alto consumo médio de queijos e produtos lácteos frescos. O relatório do USDA afirma que o medo relacionado ao consumo de carnes pode provocar o aumento do consumo de leite. O consumo per capita de queijo na UE no ano 2000 foi de 18,2 quilos, maior do que os 17,9 quilos consumidos em 1999. Para esse ano, é esperado um crescimento contínuo, embora em níveis mais modestos.

A produção de queijos na UE continuou crescendo no ano passado, seguindo a tendência iniciada em 1999. A melhora nos níveis de exportação e o consumo interno sustentado motivaram o processamento, que deverá permanecer durante o ano de 2001. A produção de queijos absorve agora metade da produção de leite da União Européia.

A produção de manteiga teve uma queda no ano passado, devido à baixa disponibilidade de leite e à alta produção de queijos. Essa produção deverá continuar caindo nesse ano, devido principalmente ao decréscimo no consumo e às oportunidades instáveis de exportação para a Rússia, o que pode provocar um desequilíbrio no mercado.

A produção de leite em pó desnatado na UE também caiu no ano passado, devido aos baixos preços do leite e à alta produção de queijos. Entretanto, o fornecimento foi bastante suplementado devido à uma revisão completa feita no esquema de intervenção de estoques. Os estoques, de 173.367 toneladas em janeiro de 2000, foram completamente eliminados até setembro. O esquema regular de intervenção (março a agosto) não entrou em vigor no ano passado, devido aos bons preços causados pela demanda sustentada no mercado interno e no mercado mundial. Os níveis de produção de leite em pó desnatado desse ano deverão diminuir de novo, enquanto a produção de queijos deverá ser a opção favorita, e o consumo de leite em pó desnatado deverá ter uma queda.

Além disso, outros produtos feitos a partir de leite em pó desnatado, como proteína concentrada do leite, continuam a crescer em volume e estão sendo favorecidos pelos processadores.


As possibilidades de exportação variam de acordo com o produto

O relatório do USDA informou que as exportações de produtos lácteos pela UE esse ano poderão aumentar, devido à demanda mundial de queijos, leite em pó desnatado e leite em pó integral, e em particular, pela expectativa de melhoria nas exportações européias à Rússia, caso seja retirada a barreira imposta aos produtos lácteos, devido aos focos de febre aftosa. Entretanto, as barreiras às importações de lácteos europeus, devido à febre aftosa e em menor grau, à doença da vaca louca, impostas por outros países, podem prejudicar as exportações de lácteos da UE.

As exportações de queijos aumentaram consideravelmente no ano passado, depois da crise russa de 1998, com a lenta recuperação da demanda em 1999. As exportações de queijos ao mercado da Rússia, principalmente da Alemanha, aumentaram cerca de 20%, apesar do euro-dólar ter ficado fraco durante todo o ano. As exportações de queijos processados e não processados para os EUA não diminuíram até agosto de 2000.

Entretanto, as exportações subsidiadas de queijos não cresceram muito, uma vez que foram limitadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), e pelas limitações no orçamento da União Européia.

As exportações não-subsidiadas européias de queijos atingiram o volume de 70 mil toneladas em 1999/2000, entre os quais vários tipos foram enviados para os EUA. A participação das exportações não-subsidiadas deverá crescer, incluindo exportações para o Leste Europeu.

O modelo geral de exportações de queijos na UE não foi alterado de forma significativa no ano 2000. Os EUA continuam sendo o mercado líder de exportação européia de queijos, mas houve um aumento no volume nos envios à Rússia e ao Canadá.

A Alemanha ficou no ano passado na posição de maior exportador de queijos entre os países da UE, seguido pela Holanda, Dinamarca, França e Itália.

Os queijos importados pela UE foram originados principalmente da Suíça e Oceania, apesar dos EUA aparecerem também como um participante significativo entre os que exportaram queijos para o mercado europeu no ano passado. A Holanda é o principal importador, seguida pelo Reino Unido.

As exportações de manteiga da UE recuperaram-se levemente no ano passado, graças ao aumento da demanda por esse produto na Rússia. O Oriente Médio foi o principal destino da manteiga da UE, com 43% do total exportado. O reembolso dessas exportações continuam em vigor o que, combinado com a fraqueza do euro-dólar, ajudou a sustentar as exportações. A Comissão Européia determinou uma cota máxima de exportação de manteiga, de 200 mil toneladas a longo prazo.

A Holanda permanece como o principal exportador de manteiga da UE, seguido pela Finlândia, que passou à frente da França, graças ao aumento da demanda no mercado russo. As importações de manteiga pela União Européia não deverão sofrer grande modificações, sendo que a Nova Zelândia continua sendo o principal fornecedor.

Os volumes de exportação de leite em pó no início do ano 2000 foram excepcionalmente altos, estimulados pelos altos reembolsos de exportação, a fraqueza do euro-dólar, a demanda sustentada nos mercados mundiais, e a possibilidade de usar subsídios dentro das normas da OMC. Entretanto, a escassez de leite em pó desnatado no mercado interno da UE levou a Comissão Européia a dar prioridade às necessidades internas. Os subsídios de exportação a esse produto foram reduzidos em 10 vezes desde janeiro de 2000, e os subsídios da caseína forma igualmente reduzidos.

A Algéria e o México permanecem como os dois principais mercado de leite em pó desnatado da UE, mas as novas restrições de importação tomadas por esses países por causa da febre aftosa, podem mudar essa situação. As Filipinas substituíram a Índia no ano passado como terceiro lugar nas importações. As exportações desse ano deverão ser menores, devido às restrições determinadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), que limitou o uso de subsídios, limitações no orçamento devido à crise da vaca louca e a escassez de leite em pó desnatado no mercado da União Européia.

fonte: Cheese Reporter, adaptado por Equipe MilkPoint
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