As exportações de lácteos da Austrália poderão cair cerca de 10% neste ano fiscal que termina em 30 de junho devido à seca que poderá desacelerar o fornecimento de leite no terceiro maior exportador de queijos e manteiga do mundo por pelo menos mais dois anos.
O rendimento com as vendas de produtos lácteos ao exterior da Austrália poderão declinar pelo segundo ano consecutivo, caindo de 8% a 10%, disse o gerente geral de desenvolvimento de comércio internacional da organização Dairy Austrália, Chris Phillips. O país exportou A$ 2,49 bilhões (US$ 1,70 bilhões) em 2002-2003, comparado com exportações de A$ 3,20 bilhões (US$ 2,19 bilhões) do ano anterior.
A prolongada seca e o declínio no valor pago pelo leite poderá restringir a habilidade dos produtores de comprar mais vacas para expandir a produção, disseram as companhias de lácteos. A carência de pastagens e de alimentos de animais no ano passado causou a maior queda na produção anual de leite da Austrália dos últimos 51 anos.
No período de oito meses - até 29 de fevereiro -, os volumes de exportação de lácteos da Austrália caíram 17% e o valor das vendas declinou 18%, de acordo com a Dairy Austrália. A organização de pesquisa e comércio informou que a expectativa é que a neozelandesa Fonterra Co-operative Group Ltd. e os países da União Européia (UE) preencham o déficit criado pela redução no fornecimento australiano. Somente a UE e a Nova Zelândia exportam mais produtos lácteos do que a Austrália.
As reduções na oferta de produtos lácteos da Austrália não deverão chegar ao fim tão cedo, de acordo com Phillips. O rebanho leiteiro nacional cairá para o número mais baixo dos últimos cinco anos, de 2,05 milhões de cabeças em junho, devido às vendas de vacas e custos de alimentos.
O menor volume de queijos, manteiga e leite em pó disponível para exportação significa que a Austrália não estará apta a aproveitar o máximo dos benefícios dos maiores preços internacionais. O Índice de Preços de Lácteos do Commonwealth Bank of Austrália, que está baseado nos preços em dólares norte-americanos das commodities no mercado mundial spot, aumentou 23% no último ano.
Para alguns exportadores de lácteos, o fortalecimento do dólar australiano com relação à moeda dos EUA ocorrido no ano passado reduziu alguns dos ganhos de preços, particularmente para companhias que compraram dólar australiano no começo deste ano como um hedge contra uma recuperação futura no dólar local. O dólar australiano atingiu o valor mais alto dos últimos sete anos em fevereiro deste ano.
A National Foods Ltd. Disse na semana passada que poderá reduzir o preço pago a seus fornecedores de leite entre 0,5 e 1 centavo (0,34 e 0,68 centavos de dólar) o litro no mês de julho.
A Dairy Austrália estima que o número de produtores de leite do país caiu em um quarto na última década. A queda na produção de leite também está prejudicando os exportadores de lácteos do país, que estão em sua maioria nas mãos de cooperativas de produtores.
"A maioria das fábricas, especialmente no norte de Victoria, estão rodando abaixo de sua capacidade", disse Jeff Martin, diretor do Laticínio Tatura. A empresa, que recebe leite de 421 produtores de Victoria, estado de maior produção do país, espera que seu rendimento cubra seus custos neste ano após os lucros terem caído quase pela metade no ano passado. "A maioria das cooperativas, inclusive nós, pagará todos os lucros aos produtores para mantê-los viáveis. Nós não teremos nenhum lucro retido, e isso não é sustentável em longo prazo".
Fonte: Bloomberg.com (por Jason Gale), adaptado por Equipe MilkPoint
Exportações de lácteos australianos caem
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