EUA querem abertura total no setor de lácteos com a América Central

Publicado por: MilkPoint

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As indústrias de lácteos da América Central esboçaram aos Estados Unidos uma oferta que consideram "equilibrada", para ser discutida na oitava rodada de negociações do Tratado de Livre Comércio (TLC). Os produtos lácteos altamente sensíveis para a região são o leite fluido, o leite em pó, os queijos, os iogurtes e os cremes ácidos, os quais os fabricantes consideram que podem ser facilmente substituídos por produtos similares subsidiados pelo governo dos EUA.

O diretor executivo da Federação Centro-Americana do Setor Lacteo (Fecalac), Eric Quiroz, explicou que a oferta de negociação apresentada à contraparte praticamente dá exclusividade aos EUA de ser o provedor único da América Central dos derivados que não são produzidos na região.

A América Central não tem fabricantes de queijo cheddar, soros, queijos em pó e outros produtos similares utilizados na fabricação de biscoitos. Os produtores leiteiros desta região concordaram em retirar as tarifas de importação a estes produtos, mas impor uma tarifa de 15% às importações procedentes de outras nações que não sejam os EUA, explicou.

A Fecalac ainda não recebeu uma resposta procedente dos negociadores oficiais centro-americanos, mas, na semana passada, os EUA enviaram uma mensagem solicitando a abertura ao setor de lácteos.

O setor é um dos mais vulneráveis nas negociações de TLC, mas os EUA estão muito interessados na entrada de seus produtos na América Central, oferecendo o mesmo acordo, do lado inverso. O representante comercial estadunidense, Robert Zoellick, advertiu os governos e os fabricantes de que nenhum produto deve ficar excluído do TLC. "O princípio-chave é pôr um fim às barreiras para todos os produtos, inclusive para os mais sensíveis dos EUA, tais como açúcar, carne e leite".

Ele também advertiu que o acordo se aplica na América Central aos produtos lácteos, para os quais sugeriu aberturas de diferentes tipos que já estão na mesa de negociações, como, por exemplo, um prazo de benefícios tarifários de 15 anos e salvaguardas especiais.

Para os produtores, isso não é tão simples. "Nós não nos opomos à abertura, mas a competição não é justa", disse Quiroz, ao lembrar que pode haver entrada geral de lácteos dos EUA, já que a maioria é subsidiada.

O representante da Câmara de Produtores Lácteos da Costa Rica, Eric Montero, disse que os EUA subsidiam 50% da produção leiteira, o que significa que, em cada US$ 10 outorgados, US$ 5 são para subsídio. Esta condição põe em desvantagem os produtores centro-americanos, que não contam com nenhum tipo de prática subsidiária. Além disso, ele comentou que abrir completamente o mercado seria arriscar o investimento já estabelecido no setor, em toda a região, envolvendo fábricas, granjas e distribuidores.

Em nível mundial, os subsídios para o leite são os mais importantes. Segundo a Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (Organisation for Economic Co-operation and Development - OECD), do orçamento destinado aos subsídios, 29% vão para o leite, 18% para banana, 15% para arroz, 5% para milho e 4% para açúcar.

A região da América Central importa 417 milhões de litros de leite por ano, equivalentes a US$ 200 milhões, sendo 18% provenientes dos EUA. Para cada US$ 10 importados, somente US$ 3 provêm de compras na região, sendo os US$ 7 restantes de outros países.

A Costa Rica é o maior produtor de leite na zona, com 730 milhões de litros de leite produzidos por ano. Em seguida, vem Honduras, com 594 milhões; El Salvador, com 395 milhões; Guatemala, com 270 milhões; e Nicarágua, com 238 milhões de litros, segundo Montero. A Fecalac espera que, na penúltima rodada, seja feito um acordo definitivo no setor de lácteos, já que, caso contrário, teme uma decisão política.

Fonte: Infoleche - Sistema Pan-Americano de Informação Leiteira, adaptado por Equipe MilkPoint
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