Estudo revela que a personalidade das vacas pode afetar o rendimento produtivo

Um estudo realizado na Nova Zelândia sugeriu que vacas leiteiras "calmas" e "investigativas" produzem mais leite e passam mais tempo pastando do que suas companheiras de rebanho.

Publicado por: MilkPoint

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Um estudo na Nova Zelândia revelou que vacas leiteiras calmas e investigativas produzem mais leite e pastam mais do que as temerosas. Avaliando 87 vacas, constatou-se que as mais calmas pastavam cerca de uma hora a mais e produziam 5,5 kg a mais de leite diariamente. Outro estudo no Canadá indicou que vacas treinadas para ordenha robotizada produziram 7% mais leite e se adaptaram melhor ao sistema. A personalidade das vacas influenciou tanto a produção quanto a adaptação ao manejo.
Um estudo realizado na Nova Zelândia sugeriu que vacas leiteiras "calmas" e "investigativas" produzem mais leite e passam mais tempo pastando do que suas companheiras de rebanho. O estudo, conduzido com 87 vacas durante um período de 16 dias, revelou que as vacas investigativas, calmas ou "curiosas" apresentaram um rendimento leiteiro superior ao de animais com outros traços de personalidade.

O objetivo da pesquisa foi determinar se os traços de personalidade, medidos por meio de uma série de testes comportamentais padronizados e curtos, estavam associados a padrões de comportamento diário, como pastar e deitar, e se isso poderia impactar a produção de leite de bovinos criados a pasto. Ao longo de dias consecutivos, foram realizados cinco testes, um por dia, avaliando as respostas dos animais a um objeto novo, à contenção, a um humano desconhecido, à distância de fuga e à própria ordenha.

A pesquisa concluiu que havia três tipos de personalidade para as vacas leiteiras, os quais foram classificados como "temerosas em relação a humanos", "calmas e investigativas" e "reativas durante a ordenha". Descobriu-se que as vacas mais calmas ou investigativas passaram mais tempo pastando (cerca de 1 hora a mais) sem que isso resultasse em uma redução no tempo em que ficavam deitadas. As vacas que se mostraram mais "calmas e investigativas" (em oposição às menos) passaram cerca de 70 minutos a mais por dia pastando e produziram aproximadamente 5,5 kg de leite a mais diariamente. O relatório indicou que o maior tempo de pastoreio provavelmente contribuiu para essa maior produção.

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Por outro lado, as vacas mais temerosas em relação aos humanos — que mantinham uma grande distância de fuga e mostravam-se reativas às pessoas — apresentaram uma redução no tempo de descanso. Já as vacas mais reativas à ordenha tenderam a ter um rendimento leiteiro menor, com uma queda de cerca de 1,8 kg por dia. O relatório concluiu: "Esses resultados corroboram a crescente literatura que demonstra uma associação entre traços de personalidade, comportamento diário e produtividade do gado". E acrescentou: "Esses breves testes de comportamento poderiam ser utilizados em fazendas comerciais para caracterizar animais individualmente e ajudar a adaptar o manejo da propriedade para atender às necessidades específicas de cada vaca". Este estudo foi realizado na Fazenda Leiteira de Pesquisa da Universidade Lincoln, na Nova Zelândia, de 11 a 30 de novembro de 2019.

Pesquisas mais recentes sugeriram que a personalidade das vacas também pode influenciar tanto a adaptação a sistemas de ordenha robotizada (AMS) quanto a produção de leite. Esse estudo, conduzido no Centro de Pesquisa Leiteira de Ontário (Elora Research Station) da Universidade de Guelph, no Canadá, envolveu inicialmente 32 novilhas da raça Holandesa. Foram avaliados traços de personalidade, incluindo ousadia, exploração, nível de atividade e sociabilidade, para determinar seu impacto no treinamento e no desempenho no AMS.

Os resultados mostraram que as vacas treinadas para usar o sistema produziram, em média, 7% a mais de leite por dia ao longo dos 21 dias de estudo do que as vacas que não passaram pelo treinamento. As vacas treinadas também exigiram menos eventos de busca — momentos em que os produtores precisam incentivar os animais a entrar no sistema de ordenha —, além de registrarem mais visitas voluntárias, mais ordenhas e maiores rendimentos totais de leite.

Contudo, a personalidade influenciou a disposição das vacas em se adaptar ao AMS. Os pesquisadores descobriram que traços individuais de personalidade afetaram as respostas ao treinamento no sistema antes do parto, com vacas mais ativas e "ousadas-vocais" adaptando-se com menos sucesso. Entre as vacas não treinadas, a personalidade foi associada à frequência das buscas e ao tempo gasto no curral de espera. Vacas ativas e ousadas-vocais exigiram mais intervenções de busca, enquanto as vacas apenas ativas passaram mais tempo no curral.

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O estudo concluiu que a produção de leite pode ser melhorada por meio de programas ativos de treinamento no AMS que incentivem as vacas a entrarem no sistema antes do parto. Em conjunto, os resultados sugeriram que vacas mais sociáveis ou vocais apresentaram um desempenho inferior em termos de atividade de ordenha robotizada, destacando, assim, o papel fundamental da personalidade no manejo de rebanhos leiteiros.

As informações são do Dairy Reporter, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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