O órgão estima que o país inicie 2027 com 9,97 milhões de bovinos, crescimento de 1,3% em relação ao ano anterior e o maior nível dos últimos cinco anos. No caso das vacas leiteiras, o número deve passar de 4,60 milhões de cabeças em 2025 para 4,65 milhões em 2026 e 4,67 milhões em 2027.
Segundo o relatório, preços favoráveis ao produtor, melhora da situação financeira das propriedades e maior retenção de animais para reprodução estão entre os fatores que sustentam a expansão. O USDA também aponta a formação de novos rebanhos leiteiros, inclusive em áreas anteriormente destinadas ao cultivo de grãos ou à terminação de bovinos.
Rentabilidade abre espaço para novos investimentos
O cenário financeiro das fazendas também mudou. Depois de um período marcado por juros elevados e maior pressão sobre o caixa, a melhora dos preços recebidos pelos produtores permitiu reduzir dívidas, retomar aplicações de fertilizantes, realizar manutenções que haviam sido adiadas e voltar a investir nas propriedades.
Parte desses investimentos está chegando na forma de tecnologia. O relatório destaca o avanço de ferramentas como colares inteligentes para monitoramento dos animais e sistemas de cerca virtual, utilizados para melhorar o aproveitamento das pastagens e reduzir a necessidade de mão de obra. Essa recuperação, porém, ocorre em um sistema altamente dependente das condições das pastagens e é justamente aí que aparece uma das principais incertezas para 2027.
El Niño coloca pastagens no centro das atenções
O USDA alerta para a possibilidade de um El Niño intenso durante a temporada 2026/27. O fenômeno tende a aumentar a probabilidade de condições mais secas no leste e no norte da Nova Zelândia, enquanto áreas do sul e oeste podem registrar maior umidade. Nas principais regiões pecuárias afetadas, uma primavera e um verão mais secos podem limitar o crescimento das pastagens e reduzir a disponibilidade de alimento.
Para as fazendas leiteiras, os efeitos podem chegar diretamente ao manejo. Em um cenário de seca prolongada, o USDA considera que produtores podem reduzir a frequência das ordenhas e antecipar o descarte de vacas, buscando adequar o número de animais à disponibilidade de alimento.
Leite e carne cada vez mais conectados
O relatório também evidencia uma característica importante da pecuária neozelandesa: a forte integração entre as cadeias de leite e carne. O USDA estima que entre 60% e 70% dos bovinos abatidos anualmente no país tenham origem no rebanho leiteiro, considerando bezerros, vacas de descarte e animais provenientes de cruzamentos entre raças leiteiras e de corte.
Essa integração vem se aprofundando. Mudanças nas exigências de fornecimento adotadas a partir de 2023 estimularam o setor a reduzir o abate precoce de bezerros leiteiros e direcionar mais animais para posterior produção de carne. O número de bezerros abatidos caiu de 1,97 milhão em 2023 e é projetado pelo USDA em 1,75 milhão em 2027.
As informações são do USDA/FAS – Livestock and Products Annual: New Zealand, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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