No entanto, os dirigentes da Junta Intercooperativa de Produtores de Leite (JIPL) disseram que esta queda na produção leiteira está "exagerada", afirmando que as estatísticas da SAPGyA não refletem a realidade do setor.
Estas declarações foram realizadas no final do ano passado na cidade de Rafaela, em uma coletiva de imprensa oferecida pelos membros da JIPL. Os diretores da entidade, que reúne as indústrias lácteas cooperativas - SanCor, Milkaut e Manfrey, entre outras - disseram que o nível de queda da produção expressado pelos dados oficiais não é real e que o volume de leite produzido na Argentina é superior ao informado pela Secretaria da Agricultura.
O presidente da JIPL, Raúl Manranzana, e o representante da SanCor e assessor da JIPL, Alejandro Galetto, concordaram ao manifestar suas dúvidas com relação aos dados oficiais e advertiram que os mesmos teriam vícios de procedimento que dariam lugar a importantes erros na quantificação da produção de leite da Argentina.
Segundo Galetto e de acordo com a visão da JIPL, há dois pontos centrais que marcam a evolução da produção de leite na Argentina nos últimos meses: uma é que efetivamente a produção tem diminuído devido ao impacto do avanço da soja; outra é que, segundo a entidade, muitas propriedades leiteiras passaram para o que a Junta chama de "produção leiteira não registrada" e que continuam produzindo leite, mas seus volumes ficam fora dos levantamentos oficiais realizados pela SAGPyA.
Galetto disse também que a diferença estatística que os estudos oficiais revelam "é atribuível a uma série de razões". Apesar de não terem deixado explícito, os diretores da JIPL deixaram no ar uma suspeita de que existem outros fatores que fazem com que as estatísticas da SAGPyA não reflitam a realidade do setor. Os dirigentes mencionaram como um fator que chamou a atenção a forte recuperação da produção que as estatísticas oficiais mostraram a partir de setembro de 2003. "Não é casualidade que em setembro tenham aparecido 400 milhões de litros do nada. Onde estavam antes?", questionaram os dirigentes, dizendo que este aumento chamou a atenção daqueles que acompanham o setor.
Para a JIPL, alguns setores tentaram apresentar esta tendência de queda na produção leiteira e fechamento de propriedades leiteiras na Argentina como "catastrófica", quando, segundo eles, a realidade foi outra.
"Finalmente perceberam que o setor leiteiro não estava chegando ao fim. Já não é como antes, em meio à crise, que, quando uma propriedade leiteira fechava, os animais eram abatidos; agora, estes animais vão para outra propriedade leiteira, e vemos que as propriedades constantes estão aumentando a produção", disse Maranzana, referindo-se ao questionamento.
Desta forma, a JIPL informou sobre sua preocupação pela aparente falta de confiabilidade nos dados oficiais que, segundo a entidade, constitui um importante problema que impede de se conhecer com certeza o setor leiteiro da Argentina.
Dados oficiais



Fonte: Diario Castellanos, publicado em Infortambo e Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação da Argentina (SAGPyA), adaptado por Equipe MilkPoint