Entidades discordam de mudanças na legislação dos lácteos

Publicado por: MilkPoint

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Mistura de leite com soro de queijo, a bebida láctea está deixando em lados opostos associações que normalmente defendem unidas os interesses do setor lácteo. Enquanto uns argumentam que o produto é uma "fraude econômica" e engana o consumidor que compra "gato por lebre", outros afirmam que é uma questão de "direito de escolha" e de "livre concorrência".

Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Confederação Brasileira das Indústrias de Laticínios (CBCL), Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia, que nesse caso representa os grandes fabricantes de leite longa vida) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) estão defendendo mudanças na legislação da bebida láctea.

Essas associações enviarão um documento ao Ministério da Agricultura na próxima semana, propondo as seguintes mudanças: mínimo de 2% de proteína (cerca de 40% de soro), dois terços da embalagem na cor laranja com a porcentagem de soro escrita no rótulo e um corante para mudar a cor do produto. O teor protéico do leite longa vida é 3%.

"O soro tem que ser aproveitado, mas o consumidor não pode ser enganado ao levar um produto para casa", afirmou o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Rodrigo Alvim, dizendo que o soro em pó pode ser utilizado como ingrediente na indústria de alimentos.

Para o coordenador da câmara temática de leite da OCB, Jacques Gontijo, a bebida láctea "é uma fraude econômica", pois é vendida na mesma embalagem e no mesmo espaço do leite longa vida no supermercado.

As associações que representam os fabricantes de soro de queijo e de bebida láctea já enviaram um documento ao Ministério da Agricultura repudiando a mudança. Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (Abiq), Conselho Nacional da Indústria de Laticínios (Conil), Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV) e os Sindicatos de Laticínios de São Paulo e Goiás defendem a manutenção da legislação atual, que admite um mínimo de 1,2% de proteína ou 50% de soro na composição.

"Se for para mudar a regulamentação, é preciso alterar toda a legislação de produtos embalados, porque há muitos itens distintos na mesma embalagem", defendeu o presidente da ABLV, Almir Meirelles, citando os exemplos de manteiga e margarina ou óleo de girassol e óleo de soja. "Quem acaba ou não com a existência de um produto é o consumidor", ressaltou.

Toda essa confusão tem um aspecto econômico. Utilizando o soro de queijo, os laticínios reduzem o custo e vendem a bebida láctea 20% a 30% mais barata que o leite longa vida. E, com a crise econômica, o produto ganha espaço. Mas não existem estatísticas sobre o volume de bebida láctea produzido no País.

Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
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Juliano de Magalhaes
JULIANO DE MAGALHAES

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 23/10/2003

Concordo que não deva ser alterado a legislação quanto ao teor de soro adicionado, mas o consumidor deve saber o que está consumindo. A grande maioria compra pelo preço e acha que o produto é leite, pois muitos rótulos não trazem no seu corpo claramente que aquele produto é bebida láctea. A embalagem deve ser diferenciada para que o consumidor possa saber o que está levando para casa.
Sergio Caetano de Resende
SERGIO CAETANO DE RESENDE

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2003

Dificilmente se encontra leite não diluído com soro para comprar no varejo. Quando se encontra, o preço gira em torno de R$1,80. I.e., o soro do leite é suficiente para cobrir todas as despesas da indústria, e ainda ter lucro. Assim, os produtos lácteos sólidos representam enriquecimento improbo. O leite tem extrema importância humana e social.
EMILSON ROBERTO CURVELLO MACHADO
EMILSON ROBERTO CURVELLO MACHADO

GOIÂNIA - GOIÁS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 22/10/2003

Prezados Senhores,

A Bebida Láctea é um produto que tem espaço em todos os países do mundo, inclusive os chamados mais desenvolvidos. Porque em um país em desenvolvimento, com grande produção de queijos e consequentemente de soro vamos discriminar esse produto, como um produto marginal? Ora, deve ser levado em conta: o poder aquisitivo da população, o alto grau de poluição ambiental que o soro representa, o valor nutricional que a bebida láctea representa para as camadas de baixa renda, etc. Entendemos, portanto, que não há o que mexer na legislação atual.
João Procópio Fortes Jr
JOÃO PROCÓPIO FORTES JR

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 21/10/2003

Porque não adicionar agua e comprar 50% do preço ?
Qual a sua dúvida hoje?