Empresa que fornece leite para Prefeitura de São Paulo tem dono desconhecido

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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A Tangará Importadora e Exportadora é um gigante do setor alimentício. Uma das 50 maiores importadoras do País tem entre seus clientes a Marinha, o Exército, varejistas do porte do Carrefour e várias prefeituras. Só com a Prefeitura de São Paulo, a empresa tem um contrato de R$ 136 milhões anuais para fornecimento de leite em pó. Tantos negócios garantiram à empresa um faturamento de R$ 400 milhões em 2002.

Mas quem quiser cumprimentar seu proprietário por tamanho sucesso terá dificuldades. Isso porque o verdadeiro dono da Tangará é um segredo. Ele se esconde por trás de uma empresa com sede na Suíça, chamada Alicorp Holdings S/A.

De acordo com os registros da Junta Comercial de Genebra, o controle está concentrado em um pacote de ações ao portador. Esses papéis, no momento estão com o advogado Marc Joory. Ele detém 99,86% das ações. Tem como sócios uma secretária e uma estagiária, donas, cada uma, de 0,07%. A sede da Alicorp Holdings fica no escritório que Joory divide com outros 53 advogados em Genebra.

Embora seja o portador das ações de uma empresa milionária, Joory diz que não é ele o dono da Alicorp Holdings - nem da Tangará -. "Sou o representante legal da Alicorp Holdings, o dono oficial do capital", disse, negando-se a revelar o nome do verdadeiro dono da Alicorp Holdings e da Tangará. "Só posso dar informações que constam do registro da empresa na Junta Comercial de Genebra", afirmou. Filho de brasileiros, além de advogado, presta serviços de tradução para o português.

A propriedade da Tangará é tão misteriosa que nem o vice-presidente da empresa, José Aloizio Teixeira, sabe explicar quem é seu patrão. Primeiro afirmou que Joory era dono da Alicorp Holdings. Em seguida, disse que o suíço era apenas o representante legal da holding. Os documentos oficiais não revelam muito mais. A empresa, com capital de R$ 102,5 milhões, pelo câmbio de 18 de dezembro, atua nas áreas de alimentação, agroindústria e gestão societária.

Não bastasse a discrição dos verdadeiros donos da Tangará, uma coincidência chama a atenção. Apesar de incomum, o nome Alicorp aparece em outra situação relacionada à Prefeitura de São Paulo. Alicorp Comércio e Importação Ltda. era o antigo nome da AD'Oro S/A, o frigorífico que fornecia frangos para a Prefeitura paulistana durante a gestão de Paulo Maluf (1993-1996). A AD'Oro pertence à familia Lutfalla, da ex-primeira dama de São Paulo, Sílvia Maluf. A relação entre a Prefeitura e os Lutfalla foi denunciada pelo Ministério Público em 1997 por causa dos reajustes constantes dos preços dos frangos. Os aumentos eram feitos por meio de aditivos. Outra irregularidade denunciada foi a substituição da empresa que ganhara a concorrência, a Frigobrás/Sadia pela AD'Oro.

Marc Joory nega qualquer relação entre a Alicorp brasileira e a suíça. "A Tangará e a Alicorp Holdings, da Suíça, não têm nada a ver com essa AD'Oro", reforçou José Aloizio Teixeira, vice-presidente da Tangará. Segundo ele, seu irmão, Salomão Teixeira, vendeu a empresa à Alicorp suíça. Mesmo assim, ele disse desconhecer os compradores.

A Tangará, que tem fábrica em Vila Velha, na Grande Vitória, é o quarto maior pagador de ICMS do Espírito Santo. É a nona maior empresa de capital suíço no Brasil e está entre os 50 maiores importadores brasileiros, segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). A Marinha, por exemplo, comprou dela R$ 2 milhões em arroz e leite em pó.

A empresa também é fornecedora da Prefeitura de São Paulo pelo menos desde a administração de Celso Pitta (1997-2000). Em junho deste ano, foi feita a Segunda licitação da gestão Marta Suplicy para renovar o contrato de fornecimento de leite em pó para o programa Leve Leite. A Tangará venceu sua conterrânea suíça Nestlé e a mineira Itambé e, atualmente, fornece 1.600 toneladas do produto por mês, a um custo de R$ 7,08 o quilo.

O Secretário de Abastecimento de São Paulo, Valdemir Garreta, sabe que a Tangará é controlada pela Alicorp Holdings - o dado faz parte da documentação exigida no processo licitatório -, mas ficou surpreso ao ser informado das particularidades da empresa na Suíça. "A lei não nos obriga a fazer uma devassa na empresa antes de contratar seus serviços", disse. "A Tangará atende a todas as exigências e tem cumprido suas obrigações com a Prefeitura de São Paulo". A lei de licitações não obriga órgãos públicos a investigar a vida da empresa e a situação de seus controladores. Esse papel fica para órgãos como a Receita Federal.

O mistério continua, inclusive para os administradores públicos e o vice-presidente da Tangará.

Fonte: Época (por Leandro Loyola e Ricardo Mendonça), adaptado por Equipe MilkPoint
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Paulo Fernando Andrade Correa da Silva
PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2004

Acredito que a Prefeita de São Paulo deve uma explicação aos eleitores. Como pode-se perder uma oportunidade dessas para gerar empregos na pecuária de leite brasileira?
Fernando Zaparolli
FERNANDO ZAPAROLLI

PEREIRA BARRETO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 23/12/2003

Acho um verdadeiro absurdo nossos governantes aceitarem uma empresa deste tipo. Deveriam somente aceitar empresas do ramo de laticínios do Brasil que tenham captação nacional, principalmente pela situação complicada em que vive a cadeia do leite. Se fizessem isto, com certeza dariam um grande impulso na cadeia, pois todos, desde o produtor até a indústria, ganhariam.

Nutricionalmente falando, TODO setor público deveria somente adquirir leite fluido, que novamente melhoraria a cadeia do leite. Quem sabe um dia.......
Qual a sua dúvida hoje?