Empresa que fornece leite para Prefeitura de São Paulo tem dono desconhecido
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
Mas quem quiser cumprimentar seu proprietário por tamanho sucesso terá dificuldades. Isso porque o verdadeiro dono da Tangará é um segredo. Ele se esconde por trás de uma empresa com sede na Suíça, chamada Alicorp Holdings S/A.
De acordo com os registros da Junta Comercial de Genebra, o controle está concentrado em um pacote de ações ao portador. Esses papéis, no momento estão com o advogado Marc Joory. Ele detém 99,86% das ações. Tem como sócios uma secretária e uma estagiária, donas, cada uma, de 0,07%. A sede da Alicorp Holdings fica no escritório que Joory divide com outros 53 advogados em Genebra.
Embora seja o portador das ações de uma empresa milionária, Joory diz que não é ele o dono da Alicorp Holdings - nem da Tangará -. "Sou o representante legal da Alicorp Holdings, o dono oficial do capital", disse, negando-se a revelar o nome do verdadeiro dono da Alicorp Holdings e da Tangará. "Só posso dar informações que constam do registro da empresa na Junta Comercial de Genebra", afirmou. Filho de brasileiros, além de advogado, presta serviços de tradução para o português.
A propriedade da Tangará é tão misteriosa que nem o vice-presidente da empresa, José Aloizio Teixeira, sabe explicar quem é seu patrão. Primeiro afirmou que Joory era dono da Alicorp Holdings. Em seguida, disse que o suíço era apenas o representante legal da holding. Os documentos oficiais não revelam muito mais. A empresa, com capital de R$ 102,5 milhões, pelo câmbio de 18 de dezembro, atua nas áreas de alimentação, agroindústria e gestão societária.
Não bastasse a discrição dos verdadeiros donos da Tangará, uma coincidência chama a atenção. Apesar de incomum, o nome Alicorp aparece em outra situação relacionada à Prefeitura de São Paulo. Alicorp Comércio e Importação Ltda. era o antigo nome da AD'Oro S/A, o frigorífico que fornecia frangos para a Prefeitura paulistana durante a gestão de Paulo Maluf (1993-1996). A AD'Oro pertence à familia Lutfalla, da ex-primeira dama de São Paulo, Sílvia Maluf. A relação entre a Prefeitura e os Lutfalla foi denunciada pelo Ministério Público em 1997 por causa dos reajustes constantes dos preços dos frangos. Os aumentos eram feitos por meio de aditivos. Outra irregularidade denunciada foi a substituição da empresa que ganhara a concorrência, a Frigobrás/Sadia pela AD'Oro.
Marc Joory nega qualquer relação entre a Alicorp brasileira e a suíça. "A Tangará e a Alicorp Holdings, da Suíça, não têm nada a ver com essa AD'Oro", reforçou José Aloizio Teixeira, vice-presidente da Tangará. Segundo ele, seu irmão, Salomão Teixeira, vendeu a empresa à Alicorp suíça. Mesmo assim, ele disse desconhecer os compradores.
A Tangará, que tem fábrica em Vila Velha, na Grande Vitória, é o quarto maior pagador de ICMS do Espírito Santo. É a nona maior empresa de capital suíço no Brasil e está entre os 50 maiores importadores brasileiros, segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). A Marinha, por exemplo, comprou dela R$ 2 milhões em arroz e leite em pó.
A empresa também é fornecedora da Prefeitura de São Paulo pelo menos desde a administração de Celso Pitta (1997-2000). Em junho deste ano, foi feita a Segunda licitação da gestão Marta Suplicy para renovar o contrato de fornecimento de leite em pó para o programa Leve Leite. A Tangará venceu sua conterrânea suíça Nestlé e a mineira Itambé e, atualmente, fornece 1.600 toneladas do produto por mês, a um custo de R$ 7,08 o quilo.
O Secretário de Abastecimento de São Paulo, Valdemir Garreta, sabe que a Tangará é controlada pela Alicorp Holdings - o dado faz parte da documentação exigida no processo licitatório -, mas ficou surpreso ao ser informado das particularidades da empresa na Suíça. "A lei não nos obriga a fazer uma devassa na empresa antes de contratar seus serviços", disse. "A Tangará atende a todas as exigências e tem cumprido suas obrigações com a Prefeitura de São Paulo". A lei de licitações não obriga órgãos públicos a investigar a vida da empresa e a situação de seus controladores. Esse papel fica para órgãos como a Receita Federal.
O mistério continua, inclusive para os administradores públicos e o vice-presidente da Tangará.
Fonte: Época (por Leandro Loyola e Ricardo Mendonça), adaptado por Equipe MilkPoint
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VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 05/01/2004

PEREIRA BARRETO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 23/12/2003
Nutricionalmente falando, TODO setor público deveria somente adquirir leite fluido, que novamente melhoraria a cadeia do leite. Quem sabe um dia.......