Menos de 1% dos 500 milhões de litros produzidos no ano passado na província de Parma destinou-se às indústrias Parmalat. Todo o restante da produção local foi utilizado para produzir o queijo Parmigiano-Reggiano e outros derivados especiais do leite, não ligados à companhia do ex-empresário Calisto Tanzi. A informação é de Achille Coelli, diretor da União Provincial dos Agricultores de Parma.
Coelli afirmou que os criadores da região já havia muito tempo não confiavam na companhia declarada insolvente em dezembro. "Os pecuaristas daqui não querem trabalhar com a Parmalat", disse Coelli na entrevista. "Tanzi sempre teve má fama".
Nos anos 80, cerca de 200 produtores de Parma vendiam seu leite para a Parmalat, até que, em 1989, a companhia chegou a pagar os fornecedores com até um ano de atraso. Em 1990, o tribunal de Parma deferiu uma ação de 53 produtores, que exigiam da Parmalat o pagamento de faturas no valor de 2,5 bilhões de liras. "O dinheiro foi recuperado, mas a confiança não", afirma Coelli.
Gian Guido Oliva, porta-voz da Parmalat, afirmou que o atraso dos pagamentos nos casos mencionados se deveu a uma crise de liquidez, superada com o ingresso da companhia na bolsa, em 1990. Nos dez anos que se seguiram, a sociedade dirigida por Tanzi se dedicou a um programa de aquisições de empresas em mais de 30 países.
"Sempre achamos estranho que a companhia não conseguisse pagar pelo nosso leite e que depois tratasse de adquirir empresas em todo o mundo".
Fonte: Gazeta Mercantil (com Bloomberg News), adaptado por Equipe MilkPoint
Desconfiança de produtores de Parma quanto à Parmalat é antiga
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