Depois de 20 anos produzindo a marca de leite tipo A Guten Tag, em Brodowski, no interior paulista, o fazendeiro Martins Vasconcellos de Oliveira desiste da atividade para plantar cana e arrendar parte das terras para o plantio dessa cultura.
Em liquidação nos dias 10 e 11 deste mês, na fazenda Campo Alegre, em Brodowski, Oliveira coloca à venda 500 fêmeas holandesas PO e PC, sendo que 250 delas são vacas em lactação.
Segundo Oliveira, despedir-se de um rebanho selecionado há tanto tempo dá muita tristeza. "Nós tiramos 7.000 litros de leite ao dia, e a nossa média já atingiu 33 litros por vaca, ou seja, é um trabalho que exigiu investimento alto e dedicação integral."
Mas não restou outra opção. Apesar de o fazendeiro não confirmar, foram os custos e a importação maciça de leite nos últimos anos (a entrada de leite mais barato caracterizou o dumping e prejudicou o produtor nacional), entre outros fatores, que tornaram inviável a sua produção de leite.
Oliveira diz que, com muito menos volume, a marca Guten Tag vai continuar. "Pretendemos comprar leite de terceiros."
Plantar cana e arrendar o pasto, segundo o fazendeiro, são atividades mais rentáveis. Oliveira destaca na oferta do leilão 25 vacas campeãs em exposições e 9 campeãs em torneios.
Melhor criador
Uma outra desistência da produção de leite (e também da seleção de gado holandês) está repercutindo muito no setor e comprovando que a atividade, se cresce em Estados como Goiás e Bahia, declina aceleradamente no Estado de São Paulo.
José Odemir Spagiari, eleito por três anos o melhor criador da Expomilk, liquida seu rebanho (inclusive os animais de pista) nos dias 21 e 22 de abril e, de quebra, vende o equipamento de leite.
"O que acontece é que os custos para os grandes pecuaristas não variam. Na época das águas, quando o preço do litro de leite cai para os produtores, os grandes não conseguem diminuir as suas despesas. Com o tempo, a situação fica insustentável, e eles têm que fechar as porteiras."
A análise é do professor Sebastião Teixeira Gomes, da Universidade Federal de Viçosa (MG). "Por isso, em razão do clima, do solo e até de características da economia do país, a modernização da produção de leite deve se concentrar em sistemas de produção que privilegiem pastagens de boa qualidade, com suplementação volumosa na seca e concentrado o ano todo, mas em quantidades menores no período das águas", diz ele.
fonte: Folha de São Paulo
Criadores de São Paulo abandonam o leite
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