Mercado de carbono avança e abre novas oportunidades para a agropecuária brasileira

Embora o Brasil seja uma das maiores potências agropecuárias do mundo, sua participação no mercado global de créditos de carbono ainda é reduzida.

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O Brasil, embora uma potência agropecuária, representa apenas 2% dos créditos de carbono no mercado global. Avanços tecnológicos e a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões devem aumentar as oportunidades para práticas sustentáveis no setor. Desafios incluem a comprovação confiável dos resultados. Iniciativas como MyCarbon e CarbonPec visam transformar eficiência pecuária em créditos de carbono. O mercado pode se tornar uma nova fonte de renda para produtores, desde que os obstáculos de mensuração e certificação sejam superados.
Embora o Brasil seja uma das maiores potências agropecuárias do mundo, sua participação no mercado global de créditos de carbono ainda é reduzida. Até abril, a agropecuária brasileira havia emitido apenas 2% dos créditos de carbono gerados por projetos de mitigação climática no setor, segundo dados do Berkeley Carbon Trading Project, da Universidade da Califórnia.

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O cenário, no entanto, tende a mudar. O avanço de tecnologias capazes de medir com mais precisão os estoques de carbono no solo e as reduções de emissões, aliado à regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e ao desenvolvimento do mercado regulado previsto no Acordo de Paris, deve ampliar as oportunidades para produtores rurais que adotam práticas sustentáveis.

Na avaliação de especialistas, o principal desafio hoje não é mais identificar práticas capazes de capturar carbono ou reduzir emissões, mas comprovar esses resultados de forma confiável e economicamente viável. Ferramentas como sensoriamento remoto, inteligência artificial, espectroscopia e modelos biogeoquímicos vêm reduzindo os custos de monitoramento e tornando os projetos mais escaláveis.

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Na pecuária, empresas já apostam nesse potencial. A MyCarbon, da Minerva Foods, desenvolve projetos voltados à recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), manejo rotacionado e melhoria da nutrição animal, além de iniciativas para reduzir as emissões de metano em bovinos confinados. A expectativa é certificar os primeiros créditos em 2027.

Outra iniciativa é a CarbonPec, que busca transformar ganhos de eficiência na pecuária de corte em créditos de carbono por meio da recuperação de pastagens, melhoramento genético, manejo rotacionado, aditivos alimentares e sistemas integrados. A metodologia utilizada está em processo de validação pela certificadora Verra e, segundo a empresa, a receita gerada com os créditos poderá contribuir para financiar investimentos em tecnologias de baixa emissão.

Segundo reportagem do Valor Econômico, o avanço dessas iniciativas mostra que o mercado de carbono pode se consolidar como uma nova fonte de renda para produtores rurais, desde que sejam superados desafios relacionados à mensuração dos resultados, à certificação dos projetos e ao amadurecimento da regulamentação do setor.

Figura 1Foto: Arte/Valor

 

As informações são do Valor Econômico, resumidas pela Equipe MilkPoint.

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