O cenário, no entanto, tende a mudar. O avanço de tecnologias capazes de medir com mais precisão os estoques de carbono no solo e as reduções de emissões, aliado à regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e ao desenvolvimento do mercado regulado previsto no Acordo de Paris, deve ampliar as oportunidades para produtores rurais que adotam práticas sustentáveis.
Na avaliação de especialistas, o principal desafio hoje não é mais identificar práticas capazes de capturar carbono ou reduzir emissões, mas comprovar esses resultados de forma confiável e economicamente viável. Ferramentas como sensoriamento remoto, inteligência artificial, espectroscopia e modelos biogeoquímicos vêm reduzindo os custos de monitoramento e tornando os projetos mais escaláveis.
Na pecuária, empresas já apostam nesse potencial. A MyCarbon, da Minerva Foods, desenvolve projetos voltados à recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), manejo rotacionado e melhoria da nutrição animal, além de iniciativas para reduzir as emissões de metano em bovinos confinados. A expectativa é certificar os primeiros créditos em 2027.
Outra iniciativa é a CarbonPec, que busca transformar ganhos de eficiência na pecuária de corte em créditos de carbono por meio da recuperação de pastagens, melhoramento genético, manejo rotacionado, aditivos alimentares e sistemas integrados. A metodologia utilizada está em processo de validação pela certificadora Verra e, segundo a empresa, a receita gerada com os créditos poderá contribuir para financiar investimentos em tecnologias de baixa emissão.
Segundo reportagem do Valor Econômico, o avanço dessas iniciativas mostra que o mercado de carbono pode se consolidar como uma nova fonte de renda para produtores rurais, desde que sejam superados desafios relacionados à mensuração dos resultados, à certificação dos projetos e ao amadurecimento da regulamentação do setor.
Foto: Arte/Valor
As informações são do Valor Econômico, resumidas pela Equipe MilkPoint.