Cotação do leite dá sinais de recuo em algumas bacias, mas em média preços ainda aumentam

Publicado por: MilkPoint

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Após 21 meses de mercado sustentado, os preços do leite in natura no campo começam a dar sinais de fraqueza. Abalados pela queda do consumo dos produtos lácteos, conseqüência do menor poder aquisitivo da população, os laticínios tentam baixar preços em plena entressafra. Não há espaço, porém, para fortes desvalorizações, pois ainda existe concorrência entre as empresas.

Levantamento da Scot Consultoria detectou leve queda nos preços pagos em julho pela produção entregue em junho nas principais bacias leiteiras do país. Em Minas Gerais, maior estado produtor, a cotação do litro de leite tipo C cedeu 0,22%, para R$ 0,5098. Os produtores goianos receberam, em média, 0,58% a menos, ou R$ 0,4986 por litro. No Rio Grande do Sul, onde a safra já começou, os preços caíram 0,88%, para R$ 0,5033.

Na média nacional, porém, os valores ainda registraram alta de 0,36%, a R$ 0,4958, provocada por valorizações nos demais Estados. Em São Paulo, quinto maior produtor nacional, o litro de leite tipo C subiu 2,57%, para R$ 0,5030, conforme a Scot. "Minas Gerais e Goiás são os Estados onde há mais resposta do setor produtivo", disse o analista da Scot Consultoria, Maurício Nogueira, ao explicar as diferenças regionais. "Já em São Paulo, os produtores estão deixando a atividade e arrendando as terras para a cana-de-açúcar", concluiu.

Pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à Esalq/USP, verificou queda de preços apenas em Goiás: 0,31%, para R$ 0,4999. Conforme o Cepea, os preços subiram 0,42% em Minas, para R$ 0,5082 por litro, com exceção do sul do Estado, onde as cotações recuaram 0,5%, para R$ 0,4791. "Os laticínios formaram bastante estoque. Se o varejo não reagir e a produção permanecer estável, os preços podem ceder nos próximos meses", disse o pesquisador do Cepea, Leandro Ponchio.

"O mercado está muito complicado", reclamou o diretor de política leiteira da Elegê, Ernesto Krug. Enquanto o leite in natura pago ao produtor subiu 35,45% nos últimos 12 meses, os preços do longa vida no atacado paulista aumentaram 19,81%. Descontada a inflação de 26,94% do IGP-DI, o ganho do produtor foi de 6,7%. "Mas o longa vida ficou abaixo da inflação", disse Krugg.

Mesmo assim, a margem de manobra dos laticínios é pequena. "É uma questão de concorrência. Ninguém quer perder produtor", disse o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Goiás (Sindileite), Domingos Villefort, ao prever uma queda lenta e gradual para os preços ao produtor.
Além disso, importar não é uma alternativa interessante. Conforme o Cepea, a tonelada do leite em pó está em US$ 1.600 no mercado internacional, o que representa R$ 0,70 por litro. Resultado: as importações somaram 47,3 mil toneladas no primeiro semestre, queda de 52,9%.

Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
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